Os sete livros a mais
A Bíblia católica tem sete livros no Antigo Testamento que a protestante não traz: Tobias, Judite, Sabedoria, Eclesiástico (também chamado Sirácida ou Ben Sira), Baruc e os dois livros dos Macabeus. Além disso, traz acréscimos a Ester e a Daniel. A Igreja Católica os chama de "deuterocanônicos" ("de segundo cânon", reconhecidos mais tarde); os protestantes os chamam de "apócrifos". O conteúdo é o mesmo; o nome reflete o status que cada tradição lhes dá.
O site hospeda o texto integral de vários desses livros em versões católicas. Lê-los lado a lado com o que sobrou nas versões protestantes é a forma mais direta de entender a diferença, que não é de tradução, e sim de quais livros existem.
Por que as duas tradições divergem
A raiz está em duas bibliotecas judaicas antigas. A Septuaginta, tradução grega usada pela Igreja primitiva, incluía os deuterocanônicos; o texto massorético hebraico, base do cânon judaico, não os incluía. Jerônimo, ao traduzir a Vulgata no século 4, anotou que esses livros não estavam no cânon hebraico e os tratou como úteis para edificação, não para fundar doutrina, mas acabou incluindo as traduções. Na Reforma, Lutero os separou numa seção apêndice; em resposta, o Concílio de Trento, em 1546, declarou-os dogmaticamente canônicos. A divisão atual nasce desse choque do século 16, mas suas raízes vêm da Septuaginta.
| Tradição | Status dos 7 livros | Base |
|---|---|---|
| Católica | Deuterocanônicos, plenamente canônicos | Septuaginta, confirmados em Trento (1546) |
| Ortodoxa | Canônicos, com alguns livros a mais | Septuaginta |
| Protestante | Apócrifos, úteis mas não Escritura | Cânon hebraico, posição de Jerônimo e Lutero |
Cada peça desta história tem tratamento próprio no tema dedicado: os sete livros um a um, a posição de Jerônimo, o Concílio de Trento, o peso da Septuaginta e as alusões no Novo Testamento, cada um com o debate entre o lado católico e o protestante. Para o aprofundamento, veja o tema Livros Deuterocanônicos em /temas/livros-deuterocanonicos/.