Quanto Tempo Durou o Dilúvio de Noé?

Dois números que confundem o leitor

A pergunta parece simples, mas o texto traz mais de um número, e é fácil misturar. Quem lembra dos "quarenta dias e quarenta noites" pensa que o dilúvio durou quarenta dias. Quem lê adiante encontra cento e cinquenta dias. Os dois números estão certos: descrevem fases diferentes do mesmo evento.

A chuva propriamente dita caiu por quarenta dias e quarenta noites. Esse é o período da precipitação, quando as "fontes do abismo" se romperam e as "janelas dos céus" se abriram.

11 No ano seiscentos da vida de Noé, no mês segundo, aos dezessete dias do mês, naquele mesmo dia se romperam todas as fontes do grande abismo, e as janelas dos céus se abriram,

12 E houve chuva sobre a terra quarenta dias e quarenta noites.

Depois que a chuva parou, as águas continuaram altas, predominando sobre a terra. O texto conta cento e cinquenta dias em que as águas prevaleceram antes de começarem a baixar. Esse período maior inclui os quarenta dias de chuva, não os soma a eles.

24 E prevaleceram as águas sobre a terra cento e cinqüenta dias.

3 E as águas iam-se escoando continuamente de sobre a terra, e ao fim de cento e cinqüenta dias minguaram.

A cronologia do ano inteiro

O relato é datado com precisão de calendário: dá o ano da vida de Noé, o mês e o dia de cada marco. Somando as datas, da entrada na arca até a saída, o tempo total se aproxima de um ano e dez dias. Não foram quarenta dias dentro da arca, foi mais de um ano.

11 No ano seiscentos da vida de Noé, no mês segundo, aos dezessete dias do mês, naquele mesmo dia se romperam todas as fontes do grande abismo, e as janelas dos céus se abriram,

4 E a arca repousou no sétimo mês, no dia dezessete do mês, sobre os montes de Ararate.

13 E aconteceu que no ano seiscentos e um, no mês primeiro, no primeiro dia do mês, as águas se secaram de sobre a terra. Então Noé tirou a cobertura da arca, e olhou, e eis que a face da terra estava enxuta.

14 E no segundo mês, aos vinte e sete dias do mês, a terra estava seca.

MarcoData no textoReferência
Começa a choverAno 600, mês 2, dia 17Gn 7:11
Cessa a chuva40 dias depoisGn 7:12
Águas predominam150 dias ao todoGn 7:24
Arca repousa nos montesMês 7, dia 17Gn 8:4
Cumes aparecemMês 10, dia 1Gn 8:5
Noé sai da arcaAno 601, mês 2, dia 27Gn 8:14

Os marcos finais usam as aves para medir o recuo das águas: Noé solta um corvo e depois uma pomba, repetindo a soltura até a pomba não voltar. Esse intervalo de soltar e esperar marca os últimos estágios da secagem, dentro da contagem do ano.

6 E aconteceu que ao cabo de quarenta dias, abriu Noé a janela da arca que tinha feito.

7 E soltou um corvo, que saiu, indo e voltando, até que as águas se secaram de sobre a terra.

8 Depois soltou uma pomba, para ver se as águas tinham minguado de sobre a face da terra.

9 A pomba, porém, não achou repouso para a planta do seu pé, e voltou a ele para a arca; porque as águas estavam sobre a face de toda a terra; e ele estendeu a sua mão, e tomou-a, e recolheu-a consigo na arca.

10 E esperou ainda outros sete dias, e tornou a enviar a pomba fora da arca.

11 E a pomba voltou a ele à tarde; e eis, arrancada, uma folha de oliveira no seu bico; e conheceu Noé que as águas tinham minguado de sobre a terra.

12 Então esperou ainda outros sete dias, e enviou fora a pomba; mas não tornou mais a ele.