Vida de Santo Antão 9
A biografia (séc. IV) que Atanásio escreveu do pai do monaquismo cristão: a renúncia de Antão, suas lutas com os demônios no deserto, o longo discurso sobre o discernimento dos espíritos, os milagres, os debates com os filósofos gregos e a sua morte. Um dos livros mais influentes da história do cristianismo, leitura que ajudou a converter Agostinho
A fama, os arianos e o exemplo de Antão
E a fama de Antão chegou até os reis. Pois Constantino Augusto, e seus filhos Constâncio e Constante, os Augustos, escreveram-lhe cartas, como a um pai, e pediram-lhe uma resposta. Mas ele não deu grande importância às cartas, nem se alegrou com as mensagens; permaneceu o mesmo que era antes de os imperadores lhe escreverem. Quando lhe trouxeram as cartas, chamou os monges e disse: 'Não fiquem espantados se um imperador nos escreve, pois ele é um homem; admirem-se antes de que Deus escreveu a Lei para os homens e falou a nós por meio do seu próprio Filho.' Por isso não queria receber as cartas, dizendo que não sabia como responder a tais coisas. Mas, instado pelos monges, porque os imperadores eram cristãos, e para que não se ofendessem por se julgarem desprezados, consentiu que as cartas fossem lidas, e escreveu uma resposta aprovando-os porque adoravam a Cristo, e dando-lhes conselhos sobre as coisas que dizem respeito à salvação: 'não fazer muito caso do presente, mas antes lembrar do juízo que está por vir, e saber que somente Cristo é o verdadeiro e Eterno Rei.' Pediu-lhes que fossem misericordiosos e que tivessem cuidado com a justiça e com os pobres. E eles, ao receber a resposta, alegraram-se. Assim ele era caro a todos, e todos desejavam tê-lo como pai.