Capítulos

Cristo pregando a discípulos sentados no alto de um monte de oliveiras

Joseph Smith - Mateus

Revisão de Mateus 23:39 a 24:51, o discurso de Jesus no monte das Oliveiras sobre a destruição de Jerusalém e os sinais do fim, com a ordem dos versículos alterada e material acrescentado em relação ao texto bíblico

Sobre a obra

Joseph Smith - Mateus é um extrato curto da revisão bíblica de Joseph Smith (1805 a 1844), fundador do movimento dos Santos dos Últimos Dias. Corresponde a Mateus 23:39 e todo o capítulo 24 da Bíblia King James, reescritos em 1831. O texto tem um único capítulo, com 55 versículos.

A peça integra a Pérola de Grande Valor, coletânea publicada pela primeira vez em 1851 por Franklin D. Richards na missão britânica e aceita como escritura por voto de conferência geral de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias em 10 de outubro de 1880. Junto com Moisés, é um dos dois trechos da revisão bíblica de Smith que a Igreja canonizou; o restante circula apenas como notas de rodapé e apêndice nas edições oficiais da Bíblia em inglês.

O que é a Tradução de Joseph Smith

A chamada Tradução de Joseph Smith, abreviada como JST na literatura em inglês e por vezes chamada Versão Inspirada, foi um projeto de revisão da Bíblia iniciado em junho de 1830. Smith trabalhou sobre o texto inglês da King James, ditando alterações a escribas. O trabalho no Novo Testamento começou em março de 1831 e foi interrompido em Mateus 26 quando Smith partiu para o Missouri no verão daquele ano.

O termo tradução aqui não descreve o procedimento usual da disciplina. Smith não consultou manuscritos gregos ou hebraicos nem trabalhou a partir de línguas originais nesta obra. Ele e seus seguidores entenderam o processo como revelação: recuperação de conteúdo que teria sido perdido ou corrompido na transmissão do texto bíblico.

A avaliação diverge conforme o pressuposto. Para a tradição dos Santos dos Últimos Dias, o resultado é restauração de texto antigo, ampliação inspirada, ou ambas as coisas, e por isso não depende de comprovação manuscrita. Para a crítica textual acadêmica, as leituras de Smith não aparecem em nenhum manuscrito grego, versão antiga ou citação patrística conhecida, e a base documental do texto de Mateus 24 permanece a que já era: papiros e unciais que não trazem esse material. As duas leituras partem de critérios distintos de autoridade, e a evidência manuscrita, por si só, não decide entre elas.

Há ainda uma ramificação histórica relevante: a Comunidade de Cristo, antes chamada Igreja Reorganizada, recebeu os manuscritos de Emma Smith em 1866 e publicou a revisão em 1867 sob o título The Holy Scriptures, Translated and Corrected by the Spirit of Revelation, logo conhecida como Inspired Version. Essa igreja usa o texto em extensão maior do que a Igreja sediada em Salt Lake City.

O que muda em relação a Mateus 24

Duas classes de mudança se destacam: a reordenação de versículos e o material acrescentado. Quem comparar os dois textos lado a lado nota o rearranjo já nas primeiras linhas.

Reordenação

A consequência exegética é direta. Em Mateus 24, a pergunta dos discípulos une três elementos, a destruição do templo, o sinal da vinda e a consumação do século, e a resposta de Jesus é lida por comentaristas de todas as tradições ora como referente ao ano 70, ora ao fim escatológico, ora aos dois em superposição. No texto revisado, a pergunta é explicitamente dividida em duas, e cada bloco de resposta é atribuído a uma delas. O que no texto grego é ambíguo passa a ser resolvido no próprio texto.

Material acrescentado

  • Uma nota narrativa afirma que os discípulos entenderam que Jesus retornaria depois de glorificado, expansão que não existe em Mateus 23:39(Joseph Smith - Mateus 1:1)
  • A expressão "fim do mundo" recebe glosa interna, "ou seja, a destruição dos iníquos"(Joseph Smith - Mateus 1:4)
  • A abominação da desolação de Daniel é aplicada por escrito à destruição de Jerusalém, e mais adiante reaparece como evento ainda futuro(Joseph Smith - Mateus 1:32)
  • Os eleitos são definidos como eleitos de acordo com o convênio, vocabulário caro à teologia da restauração(Joseph Smith - Mateus 1:22)
  • O texto termina citando uma profecia de Moisés ausente do final de Mateus 24(Joseph Smith - Mateus 1:55)
Dize-nos quando serão essas coisas que disseste a respeito da destruição do templo, e dos judeus; e qual é o sinal da tua vinda e do fim do mundo, ou seja, a destruição dos iníquos, que é o fim do mundo?

Joseph Smith - Mateus 1:4

Boa parte do restante segue a King James de perto, incluindo a parábola da figueira, a ignorância do dia e da hora, os dois no campo e o servo fiel e prudente. As diferenças concentram-se nas junções entre blocos e nas glosas explicativas.

Como o texto é lido

Na leitura dos Santos dos Últimos Dias, o texto esclarece um dos discursos mais disputados dos evangelhos e ancora a expectativa da restauração e do recolhimento de Israel nos últimos dias. É lido em aula dominical junto com Mateus 24, e a comparação entre os dois é parte explícita do estudo.

Na leitura de estudiosos que não partem da autoridade profética de Smith, o texto é documento do século XIX: registra como um leitor americano do período, imerso em expectativa milenarista, resolveu a ambiguidade escatológica de Mateus 24. Nessa chave, o interesse não é o que o texto diz sobre o Jesus histórico, mas o que revela sobre a formação do pensamento mórmon primitivo.

As duas leituras podem ser descritas sem que uma anule a outra. Quem lê o texto aqui encontra o documento na íntegra e pode compará-lo verso a verso com o Mateus canônico hospedado neste site.

(Joseph Smith - Mateus 1:1)