Salmos 131
A Song of degrees of David.
LORD
O Salmo 131 é um dos quinze "Cânticos dos Degraus" (ou "das Subidas", Salmos 120-134), provável coletânea de cânticos breves cantados por peregrinos que subiam a Jerusalém para as festas. A superscrição hebraica o atribui ainda a Davi ("Cântico dos Degraus, de Davi"), atribuição que parte da crítica considera litúrgica e tardia, mais do que histórica. Quanto ao gênero, costuma-se classificá-lo como salmo de confiança ou sapiencial: a voz orante renuncia à arrogância ("coração" e "olhos" altivos são, na poesia hebraica, imagens convencionais de soberba) e às ambições "grandes demais" para si.A expressão traduzida "grandes matérias" e "coisas muito elevadas" tem sido lida de dois modos: como recusa de ambição social ou política, ou como humildade diante de mistérios que excedem o entendimento humano. O hebraico é genérico o bastante para sustentar ambas as leituras, e os comentadores divergem sobre qual predomina.
Surely I have behaved and quieted myself, as a child that is weaned of his mother: my soul is even as a weaned child.
A imagem da "criança desmamada" (em hebraico, gamul, a criança já desmamada, não o bebê de peito) é incomum e tem gerado debate. A leitura mais difundida é a do sossego: assim como a criança desmamada já não chora ansiosa pelo leite materno e repousa tranquila junto à mãe, a alma do orante repousa contente em Deus, sem reclamar o que lhe falta. No mundo antigo o desmame ocorria por volta dos dois ou três anos e marcava uma transição para a autonomia, o que reforça a imagem de uma confiança madura, não infantilizada. A metáfora materna para a relação com Deus é rara no Saltério, o que torna o verso notável dentro da coletânea.
Let Israel hope in the LORD from henceforth and for ever.
O verso final muda da primeira pessoa para uma exortação coletiva a "Israel", convertendo a oração individual em apelo litúrgico à comunidade. A fórmula "desde agora e para sempre" reaparece em outros Cânticos dos Degraus (compare Sl 121:8 e Sl 125:2), e vários estudiosos a veem como um refrão de fechamento típico dessa coleção de peregrinação, possivelmente acrescentado para uso no culto.