Cartas - Livro X 81
A correspondência oficial com o imperador Trajano como governador da Bitínia-Ponto, incluindo a carta 96 sobre os cristãos e a resposta de Trajano
Caio Plínio ao imperador Trajano
Quando, senhor, eu estava em Prusa ao pé do Olimpo, livre dos negócios públicos na minha hospedaria, prestes a partir da cidade no mesmo dia, o magistrado Asclepíades informou-me que Cláudio Eumolpo havia recorrido a mim. Quando Cocceiano Dion, no conselho, quis que se entregasse à cidade a obra cuja supervisão tinha exercido, Eumolpo, assistindo Flávio Arquipo, disse que se devia exigir de Dion a prestação de contas da obra antes de ela ser entregue à cidade, porque ele a fizera de modo diverso do que devia.
Acrescentou ainda que ali estavam colocadas a sua estátua e os corpos sepultados da esposa e do filho de Dion, e pediu que eu investigasse o caso no tribunal.
Quando eu disse que faria isso imediatamente e adiaria a partida, ele pediu que eu marcasse um dia mais distante para preparar a causa e que a julgasse em outra cidade.
Respondi que faria a audiência em Niceia. Ali, quando me sentei para julgar, o mesmo Eumolpo, como se ainda estivesse pouco preparado, começou a pedir adiamento, enquanto Dion, ao contrário, exigia ser ouvido.
Muito foi dito de ambos os lados, inclusive sobre o mérito da causa. Como eu julgasse que se devia conceder o adiamento e consultá-lo num assunto que dizia respeito a um precedente, disse a ambas as partes que apresentassem petições escritas das suas reivindicações. Eu queria, de fato, que você conhecesse pelas próprias palavras deles o que era proposto.
E Dion disse que apresentaria a sua. Eumolpo respondeu que incluiria na petição o que reivindicava em nome da cidade; quanto ao que dizia respeito aos sepultados, não era o acusador, mas o advogado de Flávio Arquipo, cuja incumbência cumprira. Arquipo, a quem Eumolpo assistia como em Prusíade, disse que apresentaria a petição. Mas nem Eumolpo nem Arquipo, embora esperados por muitíssimos dias, me apresentaram até agora as petições; Dion apresentou a dele, que juntei a esta carta.
Eu mesmo estive no local e vi também a sua estátua colocada na biblioteca, e o lugar onde se diz que estão sepultados o filho e a esposa de Dion situado num pátio que é cercado por pórticos.
Peço-lhe, senhor, que se digne a me orientar especialmente neste tipo de investigação, já que, de resto, há grande expectativa, como é inevitável num assunto que é admitido e se defende com precedentes.