Cartas - Livro X 61

A correspondência oficial com o imperador Trajano como governador da Bitínia-Ponto, incluindo a carta 96 sobre os cristãos e a resposta de Trajano

Caio Plínio ao imperador Trajano

Você, senhor, com toda a previdência, teme que o lago, ligado ao rio e assim ao mar, se esvazie. Mas eu, aqui no local, parece que descobri como enfrentar esse risco.
Pois o lago pode ser conduzido por uma vala até o rio sem, contudo, ser escoado nele, deixando-se como que uma margem que ao mesmo tempo o contenha e o separe. Assim conseguiremos que ele não fique privado de água ao se misturar ao rio, e seja como se de fato se misturasse. Pois será fácil, por aquela estreitíssima faixa de terra que ficará no meio, transferir para o rio as cargas trazidas pela vala.
Isso se fará se a necessidade obrigar, e (espero) não obrigará. Pois o próprio lago é bastante profundo e agora despeja um rio em direção contrária. Esse rio, se for barrado dali e desviado para onde queremos, despejará, sem qualquer prejuízo do lago, tanta água quanta agora leva consigo. Além disso, ao longo do trecho por onde a vala deve ser cavada, regatos que, se reunidos com cuidado, aumentarão o que o lago tiver fornecido.
E ainda, se agradar conduzir a vala mais longe, rebaixá-la mais e nivelá-la com o mar, escoando-a não para o rio, mas para o próprio mar, o contragolpe do mar reterá e conterá tudo o que vier do lago. E mesmo que a natureza do lugar não nos oferecesse nada disso, ainda assim seria simples regular o curso da água por meio de comportas.
Mas tanto isso quanto outras coisas investigará e examinará com muito mais perspícia o nivelador, que você de fato deve enviar, senhor, como promete. Pois é uma obra digna tanto da sua grandeza quanto do seu cuidado. Eu, enquanto isso, escrevi a Calpúrnio Macro, homem ilustríssimo, por sua orientação, para que envie o nivelador mais idôneo possível.