Cartas - Livro X 58

A correspondência oficial com o imperador Trajano como governador da Bitínia-Ponto, incluindo a carta 96 sobre os cristãos e a resposta de Trajano

Caio Plínio ao imperador Trajano

Quando eu convocava os juízes, senhor, prestes a abrir a sessão, Flávio Arquipo começou a pedir dispensa, na condição de filósofo.
Houve quem dissesse que ele não devia ser apenas liberado da obrigação de julgar, mas inteiramente retirado da lista de juízes e entregue de volta à pena de que escapara quebrando as correntes.
Foi-me lida a sentença do procônsul Vélio Paulo, pela qual se provava que Arquipo, condenado por crime de falsidade, fora mandado para as minas. Ele nada apresentava que provasse ter sido reabilitado; alegava, contudo, em favor da reabilitação, um requerimento que ele próprio dera a Domiciano, cartas dele referentes à sua honra, e um decreto dos habitantes de Prusa. A isso acrescentava também uma carta sua escrita a ele, e ainda um édito e uma carta do seu pai, pelos quais ele confirmara os benefícios dados por Domiciano.
Por isso, embora se imputassem a esse mesmo homem tais crimes, achei que nada se devia decidir até que eu o consultasse sobre aquilo que me parecia digno da sua decisão. Anexei a esta carta o que foi lido de ambos os lados. CARTA DE DOMICIANO A TERÊNCIO MÁXIMO
O filósofo Flávio Arquipo obteve de mim que eu mandasse comprar para ele um terreno perto de Prusíade, sua pátria, com cuja renda pudesse sustentar os seus. Quero que isso lhe seja concedido. Lançarás a despesa total à conta da minha generosidade. DO MESMO A LÁPIO MÁXIMO
Quero que tenhas o filósofo Arquipo, homem de bem e que corresponde à sua profissão também pelos costumes, por recomendado, meu caro Máximo, e que lhe ofereças toda a tua bondade naquilo que ele te pedir com modéstia. ÉDITO DO DIVINO NERVA
Algumas coisas, sem dúvida, ó Quirites, a própria felicidade dos tempos as proclama, e não se deve esperar nessas matérias por um bom príncipe, quando basta que ele seja compreendido. Pois a convicção dos meus concidadãos pode garantir a si mesma, mesmo sem ser advertida, que eu preferi a segurança de todos ao meu próprio repouso, conferindo novos benefícios e preservando os concedidos antes de mim.
Contudo, para que nenhuma hesitação perturbe as alegrias públicas, seja pela desconfiança dos que obtiveram favores, seja pela memória de quem os concedeu, julguei ao mesmo tempo necessário e grato sair ao encontro dos que duvidam com a minha indulgência.
Não quero que ninguém imagine que aquilo que obteve, de modo privado ou público, sob outro príncipe, seja por mim rescindido, ainda que para que me deva a mim. Sejam ratificados e firmes, e a felicitação de quem a fortuna do império olhou com semblante mais favorável não precise de novas súplicas. Que me deixem livre para novos benefícios e saibam que se deve pedir aquilo que não se tem. CARTA DO MESMO A TÚLIO JUSTO
que se deve observar a ordenação de todas as coisas que foram iniciadas e concluídas em tempos anteriores, deve-se também ater às cartas de Domiciano.