Cartas - Livro X 41
A correspondência oficial com o imperador Trajano como governador da Bitínia-Ponto, incluindo a carta 96 sobre os cristãos e a resposta de Trajano
Caio Plínio ao imperador Trajano
Quando considero a grandeza tanto da sua fortuna quanto do seu espírito, parece-me muito apropriado apontar-lhe obras dignas não menos da sua eternidade do que da sua glória, e que tenham tanto de beleza quanto de utilidade.
Há, no território dos habitantes de Nicomédia, um lago amplíssimo. Por ele, mármore, frutos, lenha e madeira são transportados de barco, com custo modesto e pouco esforço, até a estrada, e dali, com grande esforço e despesa ainda maior, levados em carroças até o mar ... esta obra exige muitas mãos. E elas, aliás, não faltam. Pois há grande abundância de gente nos campos e ainda maior na cidade, e há esperança certa de que todos empreenderão de muito boa vontade uma obra proveitosa para todos.
Resta que você, se lhe parecer bem, envie um nivelador ou um arquiteto que examine com cuidado se o lago está mais alto do que o mar, coisa que os técnicos desta região afirmam estar quarenta côvados mais alto.
Eu mesmo encontro, por esses lugares, uma vala aberta por um rei, mas não se sabe se para recolher a umidade dos campos vizinhos ou para ligar o lago ao rio, pois está inacabada. Também é duvidoso se foi por o rei ter sido surpreendido pela morte ou por se ter perdido a esperança de concluir a obra.
Mas justamente por isso (você vai tolerar que eu seja ambicioso em favor da sua glória) sou incitado e inflamado a desejar que você conclua o que apenas reis haviam começado.