Cartas - Livro X 39
A correspondência oficial com o imperador Trajano como governador da Bitínia-Ponto, incluindo a carta 96 sobre os cristãos e a resposta de Trajano
Caio Plínio ao imperador Trajano
O teatro de Niceia, senhor, já construído em sua maior parte, mas ainda inacabado, já consumiu, pelo que ouço (pois as contas da obra ainda não foram apuradas), mais de dez milhões de sestércios. Temo que tenha sido em vão.
Pois ele cedeu e se abriu em fendas enormes, seja porque o solo é úmido e mole, seja porque a própria pedra é frágil e quebradiça. Vale a pena, com certeza, refletir se a obra deve ser terminada, abandonada ou até demolida. Pois os escoramentos e as fundações com que de tempos em tempos vão segurando o edifício me parecem mais custosos do que sólidos.
A esse teatro muitas coisas foram prometidas por promessas de particulares, como as basílicas ao redor e os pórticos acima da arquibancada. Tudo isso agora está parado, à espera de que se conclua primeiro o que precisa ser feito antes.
Esses mesmos habitantes de Niceia começaram, antes da minha chegada, a reconstruir o ginásio destruído por um incêndio, muito maior e mais amplo do que era, e já gastaram quantia considerável. O risco é que seja com pouca utilidade, pois a construção é desordenada e dispersa. Além disso, o arquiteto, é verdade que rival daquele que iniciou a obra, afirma que as paredes, embora tenham vinte e dois pés de espessura, não conseguem sustentar o peso colocado sobre elas, porque foram cheias de argamassa no meio e não foram reforçadas com tijolos.
Os habitantes de Cláudiópolis, por sua vez, num local rebaixado, ainda por cima ao pé de um monte, mais escavam do que constroem um banho enorme, e isso com o dinheiro que os novos membros do conselho, acrescentados por benefício seu, já entregaram pela admissão ou pagarão a meu pedido.
Portanto, como temo que ali o dinheiro público e aqui o seu favor, que é mais precioso do que qualquer dinheiro, sejam mal empregados, sou forçado a pedir-lhe que, não só por causa do teatro, mas também por causa desses banhos, envie um arquiteto para examinar qual é o caminho mais útil: depois do que já foi gasto, concluir de algum modo as obras como começaram, ou corrigir o que parece precisar de correção, transferir o que deve ser transferido, para que, enquanto queremos preservar o que já foi investido, não gastemos mal o que ainda falta acrescentar.