Cartas - Livro X 31
A correspondência oficial com o imperador Trajano como governador da Bitínia-Ponto, incluindo a carta 96 sobre os cristãos e a resposta de Trajano
Caio Plínio ao imperador Trajano
Sem prejuízo da sua grandeza, senhor, convém que você desça às minhas preocupações, já que me deu o direito de recorrer a você sobre aquilo de que tenho dúvida.
Na maioria das cidades, sobretudo em Nicomédia e Niceia, certas pessoas condenadas a trabalhos forçados, à escola de gladiadores e a penas semelhantes a estas, exercem o ofício e o serviço de escravos públicos, e até recebem um salário anual como escravos públicos. Quando ouvi isso, hesitei muito e por longo tempo sobre o que deveria fazer.
Pois julgava severo demais devolver à pena, depois de tanto tempo, a maioria deles, já idosos e que, segundo se afirma, vivem com frugalidade e modéstia. E não me parecia bastante honroso manter condenados em cargos públicos. Por outro lado, considerava inútil que esses mesmos fossem sustentados pelo Estado sem fazer nada, e perigoso não sustentá-los.
Por necessidade, então, deixei toda a questão em suspenso até consultar você. Talvez você pergunte como aconteceu de serem dispensados das penas a que haviam sido condenados. Eu também perguntei, mas nada apurei que pudesse afirmar a você. Embora se apresentassem os decretos pelos quais haviam sido condenados, não havia documento algum que provasse a sua libertação.
Havia, contudo, quem dissesse que foram soltos por ordem dos procônsules ou dos legados, a seu pedido. Dava crédito a isso o fato de ser crível que ninguém ousaria fazê-lo sem autorização.