Cartas - Livro X 17
A correspondência oficial com o imperador Trajano como governador da Bitínia-Ponto, incluindo a carta 96 sobre os cristãos e a resposta de Trajano
[17a] Caio Plínio ao imperador Trajano
Tive uma navegação saudabilíssima, senhor, até Éfeso. De lá, no entanto, depois que comecei a viajar por terra, atormentado por calores intensíssimos e até por leves acessos de febre, fiquei retido em Pérgamo.
Em seguida, quando passei para barcas costeiras, retido por ventos contrários, entrei na Bitínia bem mais tarde do que esperava, isto é, no décimo quinto dia antes das calendas de outubro. Não posso, no entanto, queixar-me da demora, já que me coube, o que foi o mais auspicioso, celebrar o seu aniversário na província.
Agora examino as despesas, as receitas e os devedores do Estado dos prusenses, o que, pelo próprio andamento do trabalho, percebo ser cada vez mais necessário. Pois muitas somas são retidas por particulares sob diversos pretextos. Além disso, certos pagamentos são feitos em gastos nada legítimos.
Isto escrevi a você, senhor, logo na minha chegada.
[17b] Caio Plínio ao imperador Trajano
No décimo quinto dia antes das calendas de outubro, senhor, entrei na província e a encontrei naquela obediência, naquela lealdade para com você que você merece de todo o gênero humano.
Considere, senhor, se julga necessário enviar para cá um agrimensor. Pois parece que somas consideráveis poderiam ser recuperadas dos encarregados das obras, se as medições fossem feitas com honestidade. Pelo menos é o que prevejo a partir das contas dos prusenses, que examino com o maior cuidado.