Cartas - Livro VIII 23

Viagens, propriedades rurais, escravos e o exercício da virtude

Caio Plínio ao seu Marcelino, saudações.

A dor que senti com a morte de Júnio Avito, a mais profunda que experimentei, tirou de mim todos os estudos, todos os cuidados, todas as distrações: arrancou-os, expulsou-os, levou-os embora.
Foi em minha casa que ele vestiu o laticlavo; teve o apoio do meu voto quando concorreu aos cargos. Além disso, gostava tanto de mim e me respeitava tanto que me tomava como modelo de conduta, como se eu fosse seu mestre.
Isso é raro entre os nossos jovens. Pois quão poucos cedem, como inferiores, à idade ou à autoridade de outro? se julgam sábios, sabem tudo, não respeitam ninguém, não imitam ninguém, e são modelos para si mesmos. Mas Avito não era assim: sua maior prudência estava justamente em considerar os outros mais prudentes, e sua maior erudição em querer aprender.
Ele sempre consultava alguém, ou sobre os estudos ou sobre os deveres da vida, e sempre se retirava melhor do que entrara; e de fato ficava melhor, fosse pelo que tinha ouvido, fosse simplesmente por ter perguntado.
Que obediência ele dedicou a Serviano, homem rigorosíssimo! Sendo tribuno, compreendeu e conquistou de tal modo o seu legado que, quando este passava da Germânia para a Panônia, acompanhou-o não como companheiro de armas, mas como amigo e admirador. Com que dedicação, com que modéstia serviu como questor aos seus cônsules, e teve vários, sendo tão agradável e querido quanto útil! Com que empenho, com que vigilância concorreu a esta mesma edilidade da qual foi arrancado! É isso, acima de tudo, que faz minha dor sangrar.
Vêm-me aos olhos os esforços inúteis, as súplicas sem fruto, e a honra que ele apenas mereceu; volta à minha mente aquele laticlavo vestido no meu lar, voltam aqueles meus primeiros e últimos votos, aquelas conversas, aquelas consultas.
Comove-me a juventude dele, comove-me a desgraça dos que lhe eram próximos. Tinha um pai idoso, tinha uma esposa que recebera virgem havia um ano, tinha uma filha que pouco antes lhe nascera. Tantas esperanças, tantas alegrias um único dia converteu no oposto.
Recém-designado edil, recém-casado, recém-pai, deixou para trás a honra que não chegou a gozar, a mãe sem filho, a esposa viúva, a filha órfã que não conhecerá o pai. Soma-se às minhas lágrimas o fato de que, estando ausente e sem saber do mal que se aproximava, soube ao mesmo tempo que ele adoecera e que morrera, sem poder me acostumar à mais grave dor pelo medo. Eu estava em tamanho tormento ao escrever isto que consegui escrever isto; e de fato agora não consigo pensar nem falar de outra coisa. Adeus.