Cartas - Livro VII 21
Cartas sobre presságios, doença, amizade e a publicação de obras
Caio Plínio a seu caro Cornuto, saudações.
Eu obedeço, caríssimo colega, e cuido da fraqueza dos olhos como mandas. Pois cheguei até aqui num veículo fechado por todos os lados, como num quarto, e aqui me abstenho, com dificuldade, não só de escrever, mas também de ler, e estudo apenas com os ouvidos.
Mantenho os quartos sombreados com cortinas corridas, mas não escuros. A galeria coberta também, com as janelas inferiores fechadas, tem tanto de sombra quanto de luz. Assim aprendo aos poucos a suportar a luz.
Tomo banho porque me faz bem, bebo vinho porque não me prejudica, mas com a maior parcimônia. Assim me acostumei, e agora há um guarda ao meu lado.
Recebi com prazer a galinha que me enviaste; com olhos bastante aguçados, embora ainda remelentos, vi que era gordíssima. Adeus.