Cartas - Livro VII 12
Cartas sobre presságios, doença, amizade e a publicação de obras
Caio Plínio ao seu Minício, saudações.
O livrinho que compus, como você havia exigido, para que seu amigo, ou melhor, nosso, pois o que não temos em comum?, dele se servisse caso a situação pedisse, mandei a você de propósito mais tarde, para que não tivesse tempo de corrigi-lo, isto é, de estragá-lo.
Mesmo assim, você terá tempo; de corrigir, não sei; de estragar, com certeza. Pois vocês, os puristas, retiram justamente o que há de melhor.
Mas se fizer isso, levarei a bem. Pois depois, em alguma ocasião, me servirei daqueles trechos como meus, e pelo benefício do seu desdém eu próprio serei elogiado, como naquele ponto que você encontrará anotado e explicado de outro modo na linha de cima.
Pois, suspeitando que lhe pareceria empolado demais, por ser mais sonoro e mais elevado, julguei não ser fora de propósito, para que você não se atormentasse, acrescentar logo algo mais comedido e mais simples, ou melhor, mais rasteiro e pior, embora, no juízo de vocês, mais correto.
Pois por que não haveria eu de perseguir e atacar por toda parte essa magreza de vocês? Isto, para que você ria um pouco, de vez em quando, em meio a essas ocupações; aquilo a sério:
veja que me restitua a despesa da viagem que tive de propósito ao despachar um mensageiro. Veja você, ao ler isto, que não reprove só partes do livrinho, mas o livrinho inteiro, e negue que tenha qualquer valor aquilo cujo preço lhe é cobrado. Adeus.