Cartas - Livro VI 8

Inclui as duas cartas a Tácito sobre a erupção do Vesúvio e a morte de Plínio, o Velho (79 d.C.)

Caio Plínio ao seu caro Prisco, saudações.

Você conhece e estima Atílio Crescente. Pois quem, com um pouco de prestígio, não o conhece ou não o estima? A ele eu amo não como muitos, mas com a maior intimidade.
Nossas cidades estão separadas por uma viagem de um dia; começamos a nos amar mutuamente ainda jovenzinhos, no amor mais ardente. Isso depois permaneceu, e não esfriou com o juízo amadurecido, mas se fortaleceu. Sabem disso os que observam de perto qualquer um de nós. Pois ele propaga a minha amizade nos mais amplos elogios, e eu declaro abertamente quanto me importam a modéstia, a tranquilidade e a segurança dele.
Mais ainda: quando ele temia a insolência de certo homem prestes a assumir o tribunato da plebe, e me revelou isso, respondi: "Ninguém, enquanto eu viver." Para que isso? Para que você saiba que Atílio não pode sofrer uma injustiça enquanto eu estiver são e salvo.
De novo você dirá: "Para que isso?" Valério Varo lhe devia dinheiro. O herdeiro dele é o nosso Máximo, a quem também eu amo, mas você ainda mais.
Peço então, e exijo até em nome do direito da amizade, que você cuide para que o meu Atílio recupere não o capital, mas também os juros de vários anos. Ele é um homem que não toca no alheio, cuidadoso com o que é seu; não se sustenta de negócio algum, e não tem renda senão a da frugalidade.
Pois os estudos, em que é dos melhores, ele os exerce por prazer e glória. Para ele, mesmo a menor perda é grave, embora seja ainda mais grave recuperar o que se perdeu.
Tire dele, tire de mim essa preocupação: deixe-me desfrutar da doçura dele, dos seus encantos. Pois não posso ver triste alguém cuja alegria não me deixa estar triste.
Em suma, você conhece o bom humor do homem; quero que você cuide para que a injustiça não o transforme em bile e amargura. Que força ele tem quando ofendido, avalie pela que tem no amor. Um espírito grande e livre não suportará um prejuízo aliado a um insulto.
Mas, mesmo que ele suporte, eu considerarei o prejuízo e o insulto como meus, e me indignarei não como se fossem por mim, isto é, com mais gravidade. Mas por que ajo com intimações e quase ameaças? Antes, como eu havia começado, peço e rogo que você se empenhe para que ele não pense, o que muitíssimo temo, que foi negligenciado por mim, e eu não pense que fui negligenciado por você. E você o fará, se isto lhe importar tanto quanto aquilo me importa. Adeus.