Cartas - Livro V 4
As villas, os testamentos, a educação e a memória dos mortos
Caio Plínio a seu amigo Júlio Valeriano, saudações.
É um caso pequeno, mas o começo de algo nada pequeno. Sólers, homem de posto pretoriano, pediu ao senado que lhe fosse permitido instituir uma feira em suas terras. Os delegados dos vicetinos se opuseram; atuou como advogado Tuscílio Nominato.
O caso foi adiado. Em outra sessão do senado, os vicetinos entraram sem advogado, disseram que tinham sido enganados, fosse por um lapso de palavra, fosse porque assim pensavam. Interrogados pelo pretor Nepos sobre quem haviam instruído, responderam: o mesmo de antes. Interrogados se naquela ocasião ele havia atuado de graça, responderam que por seis mil sestércios; se haviam pago de novo alguma coisa, disseram que mil denários. Nepos exigiu que Nominato fosse chamado.
Até aí, naquele dia. Mas, pelo que prevejo, o caso vai mais longe. Pois muitas coisas, apenas tocadas e simplesmente agitadas, espalham-se largamente. Aguçei seus ouvidos.
Quanto vai ser preciso agora, com quanta lisonja você terá de pedir para conhecer o resto! A menos que, por isto mesmo, venha antes a Roma e prefira ser espectador a ser leitor. Adeus.