Cartas - Livro IX 7

As últimas cartas literárias: ócio, caça, retórica e a despedida do gênero

Caio Plínio ao seu Romano, saudações.

Você me escreve que está construindo. Que bom, encontrei minha defesa; pois agora construo com razão, que faço isso com você. também esta semelhança: você constrói junto ao mar, eu junto ao lago Lário.
Na margem dele tenho várias vilas, mas duas, na mesma medida em que me encantam, me dão trabalho.
Uma, assentada sobre rochas à maneira de Baias, contempla o lago; a outra, igualmente à maneira de Baias, toca o lago. Por isso costumo chamar aquela de tragédia e esta de comédia: aquela porque se ergue como que sobre coturnos, esta porque se apoia como que em sandálias baixas. Cada uma tem sua beleza, e cada uma é mais agradável para quem a possui justamente pela diferença.
Esta desfruta do lago mais de perto, aquela de mais longe; esta abarca uma única enseada de curva suave, aquela, sobre um cume elevadíssimo, separa duas enseadas. um passeio reto se estende em longa linha sobre a praia; aqui uma esplanada amplíssima se curva suavemente. Aquela não sente as ondas, esta as quebra; daquela você pode ver de cima os que pescam, desta você mesmo pode pescar e lançar o anzol do quarto, e quase mesmo da cama, como de um barquinho. Estes são meus motivos para acrescentar a cada uma o que lhe falta, em razão do que nelas sobra.
Mas para que eu lhe dou explicações? Para você, fazer o mesmo é explicação suficiente. Adeus.