Cartas - Livro IX 37

As últimas cartas literárias: ócio, caça, retórica e a despedida do gênero

Caio Plínio a seu caro Paulino, saudações.

Não é próprio do teu temperamento exigir dos amigos íntimos, contra a conveniência deles, essas cortesias rotineiras e quase públicas, e eu te amo de modo firme demais para temer que tomes mal o fato de eu não te ver cônsul logo nas calendas, sobretudo porque me retém a necessidade de arrendar minhas propriedades por vários anos, em que preciso adotar novas decisões.
Pois no quinquênio anterior, apesar de grandes abatimentos, as dívidas cresceram. Por isso muitos não têm cuidado algum em reduzir o débito, pois desesperam de poder pagá-lo; chegam até a saquear e consumir o que a terra produz, julgando que não vale a pena poupar para si.
É preciso, então, enfrentar e remediar esse mal que se agrava. um meio de remediá-lo: arrendar não por dinheiro, mas por parte da produção, e depois pôr alguns dos meus como fiscais do trabalho e guardas dos frutos. E, de resto, não gênero de renda mais justo do que o que a terra, o clima e a estação devolvem.
Mas isso exige grande honestidade, olhos atentos e muitas mãos. Ainda assim é preciso tentar, e, como numa doença antiga, experimentar todo recurso de mudança.
Vês que não é um motivo de comodidade que me impede de assistir ao primeiro dia do teu consulado; mesmo aqui, no entanto, eu o celebrarei como se estivesse presente, com votos, alegria e congratulação. Adeus.