Cartas - Livro IX 28
As últimas cartas literárias: ócio, caça, retórica e a despedida do gênero
Caio Plínio a seu caro Romano, saudações.
Depois de muito tempo recebi tuas cartas, mas três de uma vez, todas elegantíssimas, afetuosíssimas, e como deviam vir de ti, sobretudo por terem sido tão esperadas. Numa delas tu me confias um encargo agradabilíssimo: que tua carta seja entregue a Plotina, mulher santíssima. Será entregue.
Na mesma carta recomendas Popílio Artemísio: atendi de imediato ao que ele pedia. Indicas também que a tua colheita de uvas foi modesta: essa queixa é comum a nós dois, embora vivamos em partes tão distantes do mundo.
Na segunda carta anuncias que agora ditas e escreves muito, e que com isso me trazes à tua presença. Agradeço; agradeceria mais se tivesses querido que eu lesse justamente o que escreves ou ditas. Seria justo que, assim como tu conheces meus escritos, eu conhecesse os teus, ainda que dissessem respeito a outro e não a mim.
Prometes, no fim, que, quando souberes algo mais certo sobre a organização da minha vida, te tornarás fugitivo dos teus afazeres domésticos e voarás de imediato até nós, e nós já te preparamos grilhões que de modo algum poderás romper.
A terceira carta dizia que te foi entregue o discurso em defesa de Clário, e que te pareceu mais farto do que fora quando eu o pronunciei e tu o ouviste. É mais farto, pois depois inseri muita coisa. Acrescentas que enviaste outras cartas, escritas com mais esmero, e perguntas se as recebi. Não as recebi, e estou ansioso por recebê-las. Por isso, manda-as na primeira ocasião, acrescentando os juros, que eu, será que posso ser mais brando?, calcularei a doze por cento. Adeus.