Cartas - Livro IX 17

As últimas cartas literárias: ócio, caça, retórica e a despedida do gênero

Caio Plínio ao seu Genitor, saudações.

Recebi sua carta em que você se queixa de que, apesar de um banquete esplêndido, ficou enfastiado, porque bufões, dançarinos efeminados e bobos circulavam entre as mesas.
Você quer relaxar um pouco essa cara fechada? Eu, de fato, não ofereço nada disso, mas tolero quem oferece. Por que então não ofereço? Porque de modo algum me diverte, como se fosse algo inesperado ou festivo, se um dançarino faz algo lascivo, um bufão algo insolente, um bobo algo tolo.
Não lhe dou uma razão, mas o meu gosto. E pense em quantos a quem aquilo que cativa e atrai a mim e a você desagrada, em parte como insípido, em parte como muito enfadonho! Quantos, quando entra um leitor, um músico ou um comediante, pedem os calçados ou se recostam com tédio não menor do que aquele com que você suportou esses, como você os chama, prodígios!
Concedamos, então, alguma indulgência aos prazeres dos outros, para conseguirmos a mesma para os nossos. Adeus.