Cartas - Livro IV 3
Cartas sobre casamento, generosidade cívica, processos e a arte de escrever
Caio Plínio a Árrio Antonino, seu amigo, saudações.
Você foi cônsul uma e outra vez, à maneira dos antigos; foi procônsul da Ásia como antes de você dificilmente um ou outro o foi, e depois de você também (a sua modéstia não me deixa dizer que ninguém); destacou-se pela integridade, pela autoridade e também pela idade como o primeiro cidadão da República. Tudo isso é, de fato, venerável e belo; mesmo assim, eu o admiro ainda mais nos seus momentos de descanso.
Pois temperar essa severidade com igual agrado, e juntar a tamanha gravidade tanta cordialidade, não é menos difícil do que admirável. E você consegue isso tanto com uma doçura quase incrível na conversa quanto, sobretudo, na escrita.
Pois, quando você fala, parece escorrer o mel daquele velho de Homero, e o que você escreve parece que as abelhas o encheram de flores e o entrelaçaram. Foi assim que me senti quando li há pouco seus epigramas gregos e seus mimiambos.
Quanta cultura e elegância há neles, como são doces, como são afetuosos, como são engenhosos, como são corretos! Achei que tinha nas mãos um Calímaco ou um Heródas, ou algo melhor ainda; mas nenhum dos dois dominou nem alcançou os dois gêneros.
Um romano falar grego tão bem? Por Deus, eu não diria que a própria Atenas é tão ática. Para que dizer mais? Tenho inveja dos gregos, porque você preferiu escrever na língua deles. Pois não é preciso adivinhar o que você poderia expressar na língua pátria, quando produziu obras tão notáveis nesta língua estranha e importada. Até logo.