Cartas - Livro IV 23

Cartas sobre casamento, generosidade cívica, processos e a arte de escrever

Caio Plínio a seu caro Pompônio Basso, saudações.

Tive grande prazer ao saber, por amigos comuns, que você, como é digno da sua sabedoria, organiza e suporta o seu retiro, mora num lugar deliciosíssimo, exercita o corpo ora em terra ora no mar, debate muito, ouve muito, muito e, embora saiba muitíssimo, ainda assim aprende algo novo a cada dia.
É assim que deve envelhecer um homem que exerceu as mais altas magistraturas, comandou exércitos e se entregou inteiramente à república por todo o tempo que lhe coube.
Pois devemos os primeiros tempos da vida e os do meio à pátria, e os últimos a nós mesmos, como advertem as próprias leis, que devolvem ao ócio quem chega a certa idade.
Quando me será permitido, quando, pela idade, será honroso imitar esse exemplo de tão belo repouso? Quando os meus retiros receberão o nome não de preguiça, mas de tranquilidade? Até logo.