Cartas - Livro IV 21

Cartas sobre casamento, generosidade cívica, processos e a arte de escrever

Caio Plínio a seu caro Vélio Cereal, saudações.

Que destino triste e amargo o das irmãs Helvídias! Ambas morreram de parto, ambas tendo dado à luz uma filha.
Sinto dor, mas não me aflijo além da medida: parece-me lamentável que a fecundidade tenha arrebatado, na primeira flor da idade, moças tão honradas. Angustia-me a sorte das crianças, órfãs dos pais logo ao nascer; angustiam-me os excelentes maridos; angustia-me também em meu próprio nome.
Pois amo com a maior constância o pai delas, mesmo falecido, como atestam a minha defesa e os meus livros; dele agora resta um dos três filhos, e ele, sozinho, sustenta e ampara a casa que, pouco antes, se erguia sobre tantos apoios.
Mas a minha dor encontra grande alívio se a Fortuna ao menos preservar este moço forte e são, e igual àquele pai e àquele avô. Pela saúde e pelo caráter dele eu estou tanto mais ansioso quanto ele se tornou o único.
Você conhece a ternura do meu coração quando amo, conhece os meus temores; por isso não deve estranhar que eu tema muitíssimo justamente por aquele de quem muito espero. Até logo.