Cartas - Livro IV 1
Cartas sobre casamento, generosidade cívica, processos e a arte de escrever
Caio Plínio a Calpúrnio Fabato, seu avô por afinidade, saudações.
Você deseja, depois de tanto tempo, ver de novo sua neta e a mim junto com ela. Agradecemos os dois esse seu desejo, e por Hércules, ele é mútuo.
Pois também nós sentimos por vocês uma saudade quase incrível, e não vamos adiá-la mais. Já estamos amarrando as bagagens, prontos para apressar a viagem tanto quanto as condições do caminho permitirem.
Haverá uma única demora, mas breve: vamos desviar até as terras da Toscana, não para inspecionar os campos e a fazenda com nossos próprios olhos (isso pode ficar para depois), mas para cumprir um dever que não pode esperar.
Há uma cidade vizinha das minhas propriedades, chamada Tifernum Tiberinum, que me escolheu como patrono quando eu ainda era quase um menino, com tanto mais entusiasmo quanto menos discernimento. Ela celebra minhas chegadas, aflige-se com minhas partidas e alegra-se com minhas honrarias.
Nela, para retribuir o favor (pois ser vencido em afeto é a coisa mais vergonhosa), construí um templo às minhas custas, e agora que ele está pronto, adiar mais a dedicação seria desrespeitar os deuses.
Estaremos ali, portanto, no dia da dedicação, que decidi celebrar com um banquete. Talvez fiquemos também no dia seguinte, mas então apressaremos ainda mais a própria viagem.
Que eu encontre você e sua filha com saúde! E hão de estar alegres, se nos receberem sãos e salvos. Até logo.