Cartas - Livro I 15

As primeiras cartas literárias publicadas: retórica, amizade e a vida pública e privada de um senador romano

Caio Plínio ao seu Septício Claro, saudações.

Ei, você! Promete vir jantar e não aparece? Aqui está minha sentença: pagará a despesa até o último asse, e não será pouca.
Estavam preparadas, para cada um, uma alface, três caracóis, dois ovos, sêmola com vinho doce e neve (pois você também vai contar a neve, ou melhor, contá-la em primeiro lugar, que se desfaz na travessa), azeitonas, beterrabas, abóboras, cebolas e mil outras iguarias não menos requintadas. Teria ouvido comediantes, ou um leitor, ou um tocador de lira, ou (tal é minha generosidade) todos eles.
Mas você preferiu, na casa de não sei quem, ostras, vulvas de porca, ouriços-do-mar e dançarinas de Gades. Pagará por isso, não digo como. Agiu mal: privou de um prazer, não sei se a você mesmo, mas certamente a mim, e contudo também a você. Quanto teríamos brincado, rido e estudado!
Você pode jantar de modo mais farto na casa de muitos, mas em parte alguma com mais alegria, simplicidade e descontração. Em suma, faça a experiência; e, se depois não preferir antes apresentar desculpas aos outros do que a mim, então desculpe-se de mim para sempre. Adeus.