O Grande Inquisidor 6

O poema de Ivan Karamázov (1880): Cristo retorna no auge da Inquisição em Sevilha e é preso pelo Inquisidor, que o acusa de ter dado liberdade demais aos homens e defende uma Igreja fundada em milagre, mistério e autoridade

"Mas... isso é absurdo!", exclamou, corando. "O seu poema é um elogio a Jesus, não uma acusação contra Ele, ao contrário do que você pretendia. E quem vai acreditar em você sobre a liberdade? É assim que se deve entendê-la? Não é essa a ideia que dela tem a Igreja Ortodoxa... Isso é Roma, e nem sequer toda a Roma, é falso, são os piores entre os católicos, os inquisidores, os jesuítas! E não poderia existir uma criatura tão fantasiosa quanto o seu Inquisidor. Que pecados da humanidade são esses que eles tomam sobre si? Quem são esses guardiões do mistério que tomaram sobre si alguma maldição pela felicidade da humanidade? Quando foram vistos? Conhecemos os jesuítas, falam mal deles, mas com certeza não são o que você descreve. Não são nada disso, nada disso... São apenas o exército de Roma, voltado para a soberania terrena do mundo no futuro, com o Pontífice de Roma como Imperador... esse é o ideal deles, mas não nele nenhum tipo de mistério ou melancolia elevada... É puro desejo de poder, de ganho terreno imundo, de dominação, algo como uma servidão universal com eles como senhores, é isso que defendem. Talvez nem mesmo creiam em Deus. O seu Inquisidor sofredor é pura fantasia."