A Consolação da Filosofia 3
Escrita na prisão, à espera da execução (c. 524), a obra-prima de Boécio é um diálogo entre o filósofo condenado e a Dama Filosofia: a roda da Fortuna, a verdadeira felicidade e o sumo Bem, o problema do mal e da providência, e a conciliação entre a presciência divina e o livre-arbítrio. Ponte entre a Antiguidade e a Idade Média, foi um dos livros mais lidos do Ocidente medieval
Todos os homens são de um só tronco aparentado, embora espalhados por toda parte;
Pois um só é Pai de todos nós, um só a todos provê.
Ele deu ao sol os seus raios dourados, à lua o seu corno de prata;
Pôs a humanidade sobre a terra, como as estrelas adornam os céus.
Encerrou uma alma, alma nascida do céu, dentro da armação do corpo;
A nobre origem que ele deu pode todo mortal reivindicar.
Por que vos gabais, então, tão alto, da raça e da alta linhagem ancestral?
Se contemplásseis a fonte do vosso ser, e o supremo desígnio de Deus,
Ninguém é degenerado, ninguém vil, a não ser por mancha de pecado
E pelo vício acalentado que sujamente macula a sua origem celeste.