Apologia de Sócrates 13
A defesa de Sócrates diante do tribunal de Atenas (399 a.C.), registrada por Platão: a acusação de impiedade, a missão de examinar a vida e a recusa em temer a morte
Por isso, juízes, tenham bom ânimo diante da morte e tenham por certa esta verdade: a um homem bom nenhum mal pode acontecer, nem em vida nem depois de morto, e as coisas dele não são esquecidas pelos deuses. O que aconteceu comigo agora não foi por acaso. Para mim está claro que era melhor eu já morrer e me livrar das aflições. Foi por isso que o sinal divino em nenhum momento me afastou do que fazia.
Por essa mesma razão também não guardo grande mágoa dos que me condenaram nem dos meus acusadores, embora não tenham me condenado e acusado com essa intenção, e sim achando que me prejudicavam. Nisto eles merecem censura.
Apenas isto eu peço a eles: quando meus filhos crescerem, castiguem-nos, atenienses, incomodando-os do mesmo jeito que eu incomodava vocês, caso pareça a vocês que eles se importam mais com dinheiro, ou com qualquer outra coisa, do que com a virtude. E se acharem que são alguém quando na verdade não são nada, repreendam-nos como eu repreendia vocês, por não cuidarem do que devem e por se julgarem alguém sem valor nenhum.
Se vocês fizerem isso, terei recebido de vocês um tratamento justo, eu e meus filhos. Mas já chegou a hora de irmos embora, eu para morrer e vocês para viver. Qual dos dois caminhos é o melhor, só o deus sabe.