Concordia do Livre Arbítrio - Parte I 24
Parte I - Sobre as capacidades do livre-arbítrio para praticar o bem
Discussão 24: Quando a vontade deseja algo, ela é livre para não desejar ou rejeitar, e vice-versa?
1. Guilherme de Ockham (In 1, dist. 38, q. 1), seguido por Gabriel Biel e outros teólogos nominalistas, ensina que, no momento exato em que a vontade decide algo, ela não é livre para não decidir ou para escolher o oposto. Da mesma forma, no momento em que a vontade não decide ou rejeita algo, ela não é livre para decidir a favor daquilo. No entanto, antes desse momento, a vontade tem liberdade para, ao chegar a esse instante, decidir ou não decidir, ou até rejeitar o objeto em questão. Uma vez que o momento da decisão chega, se a vontade decidir com a liberdade que tinha antes, ela será livre para, imediatamente após, continuar com sua decisão, mudar de ideia ou até decidir o contrário, se assim desejar. Ockham destaca que, nesse aspecto, a vontade humana difere das causas naturais, que agem por necessidade: estas, nas mesmas circunstâncias, não podem deixar de agir. A vontade, porém, não é livre para decidir ou rejeitar a mesma coisa de forma indiferente no mesmo instante.