Ciudadano del mundo: el cosmopolitismo de Marco Aurelio

Una sola ciudad, del tamaño del mundo

Si hay una sola razón que gobierna el universo, y esa razón está en todo ser humano, entonces todos los hombres comparten algo en común, más profundo que la sangre o la nación. Los estoicos extraen de ahí una conclusión radical para su época: el mundo entero es una única ciudad, y cada persona es ciudadana de ella. La palabra griega que resume esto es cosmopolita: ciudadano del cosmos.

Marco Aurelio construye ese razonamiento paso a paso, como una escalera lógica: si la razón es común, la ley es común; si la ley es común, somos conciudadanos; luego, el mundo es como un solo Estado.

4 Se a nossa capacidade de pensar é comum a todos, então também é comum a razão pela qual somos seres racionais. Se é assim, é comum a razão que nos manda o que fazer e o que não fazer. Se é assim, existe também uma lei comum. Se é assim, somos concidadãos. Se é assim, participamos de uma mesma comunidade política. Se é assim, o mundo é como que um Estado. De que outra comunidade política comum alguém diria que todo o gênero humano é membro? E é dessa cidade comum que vem a nossa própria capacidade de pensar, de raciocinar e de fazer leis. De onde mais viriam? Assim como a parte terrosa do meu corpo veio de alguma terra, a parte líquida de outro elemento, o calor e o fogo de uma fonte própria (pois nada vem do nada, assim como nada volta ao não existir), também a parte que pensa veio de alguma fonte.

Y lo aplica a sí mismo de forma conmovedora, viniendo de un emperador: mientras soy Antonino, mi ciudad es Roma; pero mientras soy hombre, mi ciudad es el mundo.

44 Se os deuses decidiram a meu respeito e sobre as coisas que devem me acontecer, decidiram bem, pois não é fácil sequer imaginar uma divindade sem providência. E quanto a me fazer mal, por que teriam algum desejo disso? Que vantagem viria para eles disso, ou para o todo, que é o objeto especial da sua providência? Mas se não decidiram a meu respeito em particular, ao menos decidiram a respeito do todo, e as coisas que acontecem por consequência nesse arranjo geral eu devo aceitar com prazer e me contentar com elas. E se decidem a respeito de nada, o que é ímpio crer, ou então não façamos sacrifícios, nem oremos, nem juremos por eles, nem façamos nada que fazemos como se os deuses estivessem presentes e vivessem conosco. Mas se, ainda que assim seja, os deuses não decidem a respeito de nada que nos toca, eu sou capaz de decidir a meu próprio respeito e posso investigar o que é útil. E é útil para cada um o que é conforme à sua própria constituição e natureza. Ora, a minha natureza é racional e voltada à vida em comum. A minha cidade e pátria, enquanto sou Antonino, é Roma, mas enquanto sou homem, é o mundo. As coisas, então, que são úteis a essas cidades são as únicas úteis a mim.

Hechos los unos para los otros

De ahí se desprende el lado social del estoicismo. Si somos miembros de un mismo cuerpo, actuar contra el prójimo es antinatural, como si una mano atacara a la otra. Marco Aurelio usa esa imagen de la cooperación de los miembros del cuerpo: nacemos para cooperar, como los pies, las manos y los párpados.

3 Nascemos para cooperar, como os pés, as mãos, as pálpebras, as fileiras de dentes de cima e de baixo. Agir um contra o outro vai contra a natureza, e ficar irritado e dar as costas ao outro é justamente isso: agir contra ele.

Soportar y enseñar, no odiar

Por eso el estoico no odia al que yerra. Quien hace el mal es un pariente que no sabe lo que hace, y la respuesta correcta no es la ira, sino corregir con paciencia o soportar. La fórmula de Marco Aurelio es escueta: los hombres existen los unos para los otros; entonces enséñales, o sopórtales.

59 Os homens existem uns para os outros. Então ensine-os, ou suporte-os.