Un robo pequeño, una pregunta enorme
En el Libro II, Agustín cuenta un episodio aparentemente trivial: siendo todavía adolescente, con una pandilla de amigos, sacudió un peral de un vecino y se llevó las frutas. No tenía hambre, ni las peras eran buenas; tiró casi todo o se lo dio a los cerdos. Y es exactamente eso lo que lo atormenta décadas después. ¿Por qué robó algo que ni siquiera quería?
9 Certamente o furto é punido pela vossa lei, Senhor, e pela lei escrita nos corações dos homens, que a própria iniquidade não chega a apagar. Pois que ladrão suporta com ânimo sereno outro ladrão? Nem mesmo o ladrão rico suporta aquele que rouba forçado pela indigência. E eu quis cometer um furto, e o cometi, sem ser compelido por nenhuma necessidade, mas pela penúria e pelo fastio da justiça, e pela fartura da iniquidade. Pois furtei aquilo de que eu tinha abundância, e muito melhor, e não desejava gozar daquilo que pelo furto cobiçava, mas do próprio furto e do próprio pecado. Havia uma pereira nas vizinhanças da nossa vinha, carregada de frutos que não eram atraentes nem pela forma nem pelo sabor. Para sacudi-la e levar os frutos, partimos, jovenzinhos perversíssimos, em noite alta (havendo, segundo o nosso costume pestilento, prolongado os jogos pelas eiras até então), e de lá carregamos enormes fardos, não para o nosso banquete, mas antes para os atirar aos porcos, ainda que comêssemos algo deles, contanto que se fizesse por nós aquilo que agradava precisamente porque não era lícito. Eis o meu coração, ó Deus, eis o meu coração, do qual tivestes misericórdia no fundo do abismo. Diga-vos agora, eis o meu coração, o que ali procurava, para que eu fosse mau gratuitamente e a causa da minha malícia não fosse outra senão a própria malícia. Era torpe, e eu a amei; amei perecer, amei a minha queda, não aquilo para o qual eu caía, mas a própria queda amei, alma torpe, que se desprendia do vosso firmamento para o exílio, sem buscar algo pela vergonha, mas a própria vergonha.
Su respuesta es incómodamente moderna. Agustín concluye que robó por el placer de la transgresión misma, por el gusto de hacer lo prohibido solo porque era prohibido. Y advierte que solo quizás no lo habría hecho: fue la compañía, la risa del grupo, lo que lo arrastró. El pecado, para él, rara vez es puro apetito; es también vanidad, imitación, deseo de pertenecer.
Por qué esta escena se volvió famosa
Agustín podría haber confesado cosas mucho más graves, y las confiesa. Pero eligió gastar páginas en un puñado de frutas porque el caso es limpio: sin excusa, sin ganancia, el pecado aparece desnudo. Quiere que el lector vea que el mal no necesita un buen motivo. Esa es una de las contribuciones más influyentes del libro a la forma en que Occidente piensa la culpa, el deseo y la libertad.