A Origem das Espécies - Capítulo II: Variação sob a Natureza 4
Variação sob a Natureza
Summary
Por fim, as variedades não podem ser distinguidas das espécies, exceto, primeiro, pela descoberta de formas intermediárias que as liguem; e, segundo, por uma certa quantidade indefinida de diferença entre elas. Quando duas formas diferem muito pouco, costumam ser classificadas como variedades, mesmo que não possam ser ligadas de perto; mas a quantidade de diferença considerada necessária para dar a duas formas quaisquer o status de espécie não pode ser definida. Nos gêneros que têm mais que o número médio de espécies em qualquer país, as espécies desses gêneros têm mais que o número médio de variedades. Nos gêneros grandes, as espécies tendem a ser aparentadas de modo próximo, mas desigual, formando pequenos agrupamentos em torno de outras espécies. As espécies muito próximas de outras espécies aparentemente têm distribuição restrita. Em todos esses aspectos, as espécies dos gêneros grandes apresentam forte analogia com as variedades. E podemos entender claramente essas analogias se as espécies um dia existiram como variedades e assim se originaram; ao passo que essas analogias ficam totalmente inexplicáveis se as espécies forem criações independentes.
Vimos também que são as espécies mais prósperas ou dominantes dos gêneros maiores dentro de cada classe que, em média, produzem o maior número de variedades; e as variedades, como veremos adiante, tendem a se converter em espécies novas e distintas. Assim, os gêneros maiores tendem a ficar maiores; e, por toda a natureza, as formas de vida que hoje são dominantes tendem a se tornar ainda mais dominantes, deixando muitos descendentes modificados e dominantes. Mas, por etapas que serão explicadas adiante, os gêneros maiores também tendem a se fragmentar em gêneros menores. E assim, as formas de vida por todo o universo passam a se dividir em grupos subordinados a grupos.