Salmos 26
De David. Hazme justicia, Señor, que camino en la inocencia; confiando en el Señor, no me he desviado.
Quanto ao gênero, este é um salmo individual de declaração de inocência (uma 'protestação de inocência'), próximo dos lamentos mas com voz própria. O salmista pede a Deus que atue como juiz ('Julga-me') e alega integridade ('sinceridade', em hebraico 'tom', retidão de conduta). Essa afirmação de inocência pode soar presunçosa para o leitor moderno, mas no Antigo Oriente era uma fórmula jurídica e cúltica: o acusado se submetia ao veredito divino. Há paralelo formal com a 'confissão negativa' egípcia do Livro dos Mortos (cap. 125), onde o morto declara perante os deuses uma lista de faltas que não cometeu.Boa parte dos estudiosos lê o salmo como parte de uma liturgia de entrada no Templo: o fiel, antes de adentrar o espaço sagrado, atesta sua aptidão ritual e moral, possivelmente respondendo a uma pergunta feita por um sacerdote (compare-se a estrutura de pergunta e resposta de Sl 15 e Sl 24). Não há consenso, porém: outros situam o salmo num contexto de falsa acusação pessoal, em que o orante busca o juízo de Deus contra caluniadores.