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A Origem das Espécies - Capítulo XIII: Distribuição Geográfica (continuação)

Distribuição Geográfica (continuação)

O Capítulo XIII na Obra

Este é o segundo dos dois capítulos que Charles Darwin dedicou à distribuição geográfica em A Origem das Espécies, publicada em 1859. Ele continua diretamente o Capítulo XII e fecha o argumento. O capítulo anterior tratou das grandes divisões do globo, das barreiras e dos efeitos da era glacial. Este avança para dois casos mais difíceis: as produções de água doce e, sobretudo, os habitantes das ilhas oceânicas.

A pergunta que organiza tudo é simples. Se cada espécie foi criada onde vive, por que a distribuição dos seres segue os padrões que segue? Darwin sustenta que esses padrões só fazem sentido se as espécies migraram de uma fonte e depois se modificaram. As ilhas oceânicas são o caso onde ele julga essa tese mais forte, e é nelas que o capítulo concentra seu peso.

Conteúdo do Capítulo

As Ilhas Oceânicas e o Endemismo

Ilha oceânica, no vocabulário de Darwin, é a que nunca esteve ligada a um continente, em geral de origem vulcânica e cercada de mar profundo. Ele observa nelas um padrão recorrente. As espécies são poucas em número, mas uma proporção alta delas é endêmica, ou seja, não existe em nenhum outro lugar. Classes inteiras estão ausentes: não há anfíbios nativos, nem mamíferos terrestres, embora morcegos, que voam, apareçam em quase todas. O arquipélago de Galápagos é o exemplo central. Darwin esteve lá em 1835, na viagem do Beagle, e registra que das vinte e seis aves terrestres do arquipélago, vinte e uma ou mais são exclusivas dali.

Os pássaros de Galápagos ficaram famosos depois como exemplo de evolução, sob o nome de tentilhões de Darwin. Vale uma nota de precisão histórica: Darwin não percebeu a importância deles na ilha, misturou os espécimes sem anotar bem de qual ilha cada um vinha, e foi o ornitólogo John Gould, em Londres, quem identificou que formavam um grupo aparentado de espécies distintas. Neste capítulo Darwin nem usa a palavra tentilhão. O exemplo que ele desenvolve é o dos sabiás-imitadores, com uma espécie própria em cada ilha. O ponto, porém, é o mesmo que a tradição depois associou aos tentilhões: um único grupo de colonizadores que se diversificou ilha a ilha.

O Argumento Contra a Criação Independente

Aqui está o coração do capítulo, e o ponto onde Darwin julga sua evidência mais decisiva. Ele monta um contraste. Galápagos e as ilhas de Cabo Verde têm clima parecido, solo vulcânico parecido, altitude e tamanho parecidos. Pela teoria da criação no lugar, condições de vida iguais deveriam produzir habitantes parecidos. Mas não é o que se vê. Os seres de Galápagos lembram os da América do Sul, o continente mais próximo, e os de Cabo Verde lembram os da África, o continente mais próximo deles. A semelhança segue a geografia, não o clima.

Para Darwin, isso desfaz a explicação por criação separada. Se cada espécie foi criada para o seu lugar, por que os habitantes de duas ilhas de clima igual seriam tão diferentes, e por que cada uma copiaria justamente o continente vizinho? A resposta dele é a colonização: os seres chegaram do continente mais acessível, por meios ocasionais de transporte, e depois se modificaram no novo ambiente, ainda carregando a marca da origem. Ele apresenta o caso como uma dificuldade que a teoria rival não consegue explicar.

Por outro lado, há um grau considerável de semelhança na natureza vulcânica do solo, no clima, na altitude e no tamanho das ilhas, entre os arquipélagos de Galápagos e de Cabo Verde: mas que diferença completa e absoluta nos seus habitantes! Os habitantes das ilhas de Cabo Verde têm relação com os da África, assim como os de Galápagos com os da América.

Charles Darwin, A Origem das Espécies - Capítulo XIII: Distribuição Geográfica (continuação) 3:18

A Obra e a Fé

O capítulo não cita a Bíblia nem ataca a religião. Ele engaja a fé de forma indireta, ao discutir uma posição que naquele tempo era teológica tanto quanto científica: a criação independente de cada espécie no lugar onde vive. Esse era o quadro comum entre os naturalistas cristãos do início do século XIX. Darwin escreve dentro desse debate, e cada vez que diz que um fato é "inexplicável pela visão comum da criação", é a essa posição que ele se opõe. A biogeografia das ilhas é o argumento que ele mais repete ao longo do capítulo.

As respostas cristãs cobrem um espectro, e é honesto apresentá-lo sem decidir pelo leitor. Numa ponta está a rejeição: tradições que leem Gênesis como relato literal e recusam a descendência comum. No meio está a evolução teísta, defendida já em 1860 pelo botânico de Harvard Asa Gray, cristão e principal divulgador de Darwin nos Estados Unidos, para quem a evolução podia ser o método pelo qual Deus criou. A Igreja Católica seguiu por esse meio: a encíclica Humani Generis (1950) admitiu o estudo da evolução do corpo humano, e João Paulo II, em 1996, afirmou que a teoria é mais que uma hipótese, ressalvando a criação direta da alma. Numa terceira ponta está o design inteligente, que aceita parte do quadro mas sustenta haver sinais de propósito que a seleção natural não explicaria. Convém notar que o argumento de Darwin neste capítulo não pesa contra a criação em geral, e sim contra uma versão específica dela, a de que cada espécie foi posta pronta e fixa em seu lugar. Um leitor que aceite descendência comum não precisa abrir mão de um Criador; precisa rever a ideia de espécies criadas separadamente.

Aqui o relato para onde a evidência para. A biogeografia confirmou o padrão que Darwin descreveu: o endemismo das ilhas oceânicas e a afinidade dos habitantes com o continente mais próximo são fatos bem estabelecidos, e os tentilhões de Galápagos viraram um caso de estudo clássico de diversificação a partir de um ancestral comum. O que a ciência não decide, e que segue como pergunta aberta, é se há ou não um propósito por trás do processo, pois essa não é uma questão que o método experimental responda. O Capítulo XIII vale a leitura por mostrar, em primeira mão, qual era o alvo real do argumento de Darwin: não a existência de Deus, mas uma explicação rival sobre como as espécies vieram a ocupar a Terra.