Capítulos
1 Macabeus
Autoria e Data de Composição
O livro não identifica seu autor. O texto foi composto em hebraico, mas esse original não sobreviveu: o livro chegou ao Ocidente apenas em tradução grega (Septuaginta), a partir da qual foram feitas traduções latinas. Jerônimo, ao traduzir a Vulgata, indica ter tido acesso a um texto hebraico, chamando-o Machabaeorum primo.
A datação da composição é relativamente bem estabelecida. O livro narra eventos até a morte de Simão (134 a.C.) e a subida de João Hircano ao poder, sem descrever os fatos do reinado de Hircano em detalhes, o que sugere composição entre aproximadamente 134 e 63 a.C.A maioria dos estudiosos prefere uma data em torno de 100 a.C., após a morte de João Hircano (104 a.C.), pois o livro apresenta os Asmoneus com tom favorável, compatível com produção patrocinada ou próxima à corte asmoneia.
O livro é considerado o relato histórico mais confiável sobre a revolta macabaica, escrito por alguém com acesso a fontes primárias, documentos oficiais e possivelmente memórias de participantes. Seu caráter é histórico-narrativo, com preocupação cronológica e geográfica, sem os elementos milagrosos e apocalípticos presentes em 2 Macabeus.
Status Deuterocanônico
1 Macabeus integra o cânon católico e de várias igrejas ortodoxas, mas está ausente do cânon hebraico (Tanakh) e do cânon protestante. O livro não é mencionado no Novo Testamento. Sua trajetória até o cânon ocidental se deu pela Septuaginta (LXX), adotada pelos cristãos desde os primeiros séculos como Escritura. O fato de o original hebraico ter se perdido e o livro ter sobrevivido apenas em grego contribuiu para sua exclusão do cânon hebraico rabínico, fixado após o século I d.C. com base nos textos em língua hebraica ou aramaica então disponíveis.
O Concílio de Trento (4 de abril de 1546, decreto De Canonicis Scripturis) confirmou 1 Macabeus como parte do cânon bíblico católico, em resposta direta à Reforma Protestante, que havia rejeitado os deuterocanônicos.
Conteúdo do Livro
- Alexandre Magno e a divisão de seu império entre os generais; ascensão do poder selêucida sobre Israel — (1Mc 1:1)
- Antíoco IV Epifânio saqueia o Templo de Jerusalém e leva os tesouros sagrados — (1Mc 1:20)
- Decreto de Antíoco: proibição da Lei judaica, do sábado, da circuncisão; imposição do culto a Zeus no Templo ("abominação desoladora") — (1Mc 1:41)
- O sacerdote Matatias recusa sacrificar aos deuses gregos em Modin e mata o enviado do rei; início da revolta — (1Mc 2:1)
- Matatias convoca: "Todo o zeloso da Lei e fiel à Aliança, que me siga!"; guerrilha nos campos — (1Mc 2:27)
- Morte de Matatias; ele designa Judas como líder militar e Simão como conselheiro — (1Mc 2:65)
- Judas Macabeu assume o comando; vitórias sobre os generais selêucidas Apolônio e Serão — (1Mc 3:1)
- Grande expedição de Lisias; Judas derrota o exército selêucida em Emaús — (1Mc 3:38)
- Purificação e rededicação do Templo (164 a.C.): origem da festa de Hanucá — (1Mc 4:36)
- Judas e Simão socorrem comunidades judaicas perseguidas além das fronteiras de Judá — (1Mc 5:1)
- Morte de Antíoco IV; o novo rei Antíoco V assedia Jerusalém, mas recua por pressões internas — (1Mc 6:1)
- Demétrio I toma o trono selêucida; envia Nicanor, que é derrotado e morto por Judas (Dia de Nicanor) — (1Mc 7:1)
- Judas faz aliança com Roma, reconhecendo a crescente força romana no Mediterrâneo — (1Mc 8:1)
- Judas é morto em batalha em Elasa (160 a.C.); Israel fica sem líder e sob forte repressão — (1Mc 9:1)
- Jônatas, irmão de Judas, assume a liderança da resistência — (1Mc 9:28)
- Jônatas se torna Sumo Sacerdote, nomeado por Alexandre Bala, pretendente selêucida ao trono — (1Mc 10:1)
- Jônatas é capturado por Trifão mediante traição e posteriormente assassinado — (1Mc 12:39)
- Simão assume o comando; negocia a independência de Israel do domínio selêucida — (1Mc 13:1)
- 170 a.E.S. (143 a.C.): Israel obtém autonomia formal; Simão é aclamado líder, Sumo Sacerdote e general — (1Mc 13:41)
- Período de paz sob Simão: cada um sentado sob sua videira e figueira, sem perturbação — (1Mc 14:4)
- Simão é assassinado pelo genro Ptolomeu em um banquete; seu filho João Hircano assume o governo — (1Mc 16:11)
Contexto helenístico e perseguição de Antíoco IV (caps. 1-2)
Judas Macabeu (caps. 3-9)
Jônatas (caps. 9-12)
Simão e fundação da dinastia Asmoneia (caps. 13-16)
Evidências Históricas e Arqueológicas
1 Macabeus é amplamente corroborado por fontes externas. O historiador judeu Flávio Josefo (séc. I d.C.) usa o livro extensamente em suas Antiguidades Judaicas. Inscrições selêucidas, moedas asmoneia e registros arqueológicos em Jerusalém e arredores são consistentes com o quadro descrito no livro. A profanação do Templo por Antíoco IV em 167 a.C. e a celebração de Hanucá, que o livro registra como instituída por Judas Macabeu (1 Mc 4:59), são fatos amplamente aceitos na historiografia.