Testamentos dos Doze Patriarcas 136
Os discursos de despedida dos doze filhos de Jacó (Rúben a Benjamim), pseudepígrafo judaico do séc. II a.C. com camadas cristãs
Testamento de Benjamim, capítulo 6
A inclinação do homem bom não está no poder do engano do espírito de Beliar, pois o
anjo da paz guia a sua alma. E ele não contempla com paixão as coisas corruptíveis, nem
ajunta riquezas por um desejo de prazer. Ele não se deleita no prazer, [ele não causa tristeza ao seu próximo], ele não se sacia de luxos, ele não erra no levantar dos olhos,
o Senhor é a sua porção. A boa inclinação não recebe glória nem desonra dos homens, e não conhece nenhum dolo, ou mentira, ou contenda ou insulto; pois o Senhor habita nele e ilumina a sua
alma, e ele se alegra para com todos os homens sempre. A mente boa não tem duas línguas, de bênção e de maldição, de afronta e de honra, de tristeza e de alegria, de quietude e de confusão, de hipocrisia e de verdade, [de pobreza e de riqueza]; mas ela tem uma só disposição, incorrupta e pura, para com todos os
homens. Ela não tem visão dupla, nem audição dupla; pois em tudo o que ele faz, ou fala, ou
vê, ele sabe que o Senhor observa a sua alma. E ele purifica a sua mente para que não seja condenado pelos homens, assim como por Deus. E da mesma maneira as obras de Beliar são duplas, e não há simplicidade nelas.