Segundo Tratado do Grande Set 4
Tratado gnóstico (séc. II-III), Nag Hammadi (Codex VII,2): Cristo declara que não morreu de fato mas em aparência, e que foi outro, Simão de Cirene, quem carregou a cruz e sofreu em seu lugar
Toda a grandeza da Paternidade do Espírito repousava nos seus lugares. E eu sou aquele que estava com ele, pois tenho uma Ennoia de uma única emanação, vinda dos eternos e das incompreensibilidades incorruptas e imensuráveis.
Coloquei a pequena Ennoia no mundo, tendo perturbado e amedrontado toda a multidão dos anjos e o seu governante. Visitei a todos eles com fogo e chama por causa da minha Ennoia. E tudo o que lhes dizia respeito foi realizado por minha causa.
Surgiu uma perturbação e uma luta ao redor dos Serafim e dos Querubim, pois a glória deles vai se desvanecer, e a confusão ao redor de Adonaios de ambos os lados e da morada deles, junto ao Cosmocrator e àquele que disse "Apoderemo-nos dele"; e outros, por sua vez: "O plano com certeza não se concretizará."
Pois Adonaios me conhece por causa da esperança. E eu estava nas bocas dos leões. E quanto ao plano que tramaram a meu respeito, para liberar o Erro e a insensatez deles, eu não cedi a eles como tinham planejado. Mas eu não fui de modo algum afligido.
Os que ali estavam me castigaram. E eu não morri de fato, mas em aparência, para não ser envergonhado por eles, porque estes são meus parentes. Removi de mim a vergonha e não me acovardei diante do que me aconteceu pelas mãos deles.
Eu estava prestes a ceder ao medo, e <sofri> segundo a visão e o pensamento deles, para que jamais encontrassem palavra alguma a dizer a respeito deles. Pois a minha morte, que eles pensam que aconteceu, aconteceu a eles, no seu erro e na sua cegueira, pois pregaram o seu homem para a sua morte.
Pois as Ennoias deles não me viram, porque eram surdos e cegos. Mas, ao fazerem essas coisas, eles se condenam. Sim, viram-me; castigaram-me. Foi outro, o pai deles, que bebeu o fel e o vinagre; não fui eu. Bateram-me com a cana; foi outro, Simão, que carregou a cruz no ombro.
Eu era outro sobre quem puseram a coroa de espinhos. Mas eu me alegrava na altura, sobre toda a riqueza dos arcontes e a descendência do erro deles, da sua glória vazia. E eu ria da ignorância deles.