Evangelho da Infância de Tomé 19
Evangelho apócrifo do séc. II sobre os milagres do menino Jesus entre os cinco e os doze anos: os pardais de barro animados no sábado, as maldições e curas dos companheiros, os mestres confundidos por sua sabedoria e o reencontro no templo. Não confundir com o gnóstico Evangelho de Tomé, dos ditos
Jesus aos doze anos entre os doutores no templo
E quando ele tinha doze anos, seus pais foram, como de costume, a Jerusalém, à festa da Páscoa, com seus companheiros de viagem. E depois da Páscoa, voltavam para casa. E enquanto voltavam para casa, o menino Jesus retornou a Jerusalém. E seus pais pensavam que ele estava no grupo.
E tendo caminhado o trajeto de um dia, procuraram-no entre seus parentes; e não o encontrando, ficaram em grande aflição, e voltaram à cidade para procurá-lo. E depois do terceiro dia, encontraram-no no templo, sentado no meio dos mestres, ouvindo a lei e fazendo-lhes perguntas.
E todos estavam atentos a ele, admirados de que, sendo um menino, fechasse a boca dos anciãos e mestres do povo, explicando os pontos principais da lei e as parábolas dos profetas.
E sua mãe Maria, aproximando-se, disse-lhe: Por que fizeste isso conosco, filho? Eis que te procurávamos com grande angústia. E Jesus lhes disse: Por que me procurais? Não sabeis que devo cuidar das coisas de meu Pai?
E os escribas e os fariseus disseram: És tu a mãe deste menino? E ela disse: Eu sou. E disseram-lhe: Bendita és tu entre as mulheres, porque Deus abençoou o fruto do teu ventre; pois tamanha glória, tamanha virtude e sabedoria, nunca vimos nem ouvimos.
E Jesus levantou-se, e seguiu sua mãe, e era submisso a seus pais. E sua mãe guardava todas essas coisas que haviam acontecido. E Jesus crescia em sabedoria, em estatura e em graça. A ele seja a glória para todo o sempre. Amém.