Mito de Adapa 1

Mito acádio do sábio que perdeu a imortalidade; fragmento de Amarna (séc. XIV a.C.) e de Nínive (séc. VII a.C.)

Ele possuía inteligência [...]
A sua palavra tinha o peso da palavra de Anu [...]
Ea concedeu a ele um ouvido atento, capaz de desvendar o destino da terra,
deu a ele sabedoria, mas não lhe deu a vida eterna.
Naqueles dias, naqueles anos, o sábio de Eridu,
Ea o havia criado como chefe entre os homens,
um sábio cuja palavra ninguém devia contrariar,
o prudente, o mais sábio entre os Anunaki,
irrepreensível, de mãos limpas, ungido, cumpridor das leis divinas.
Junto com os padeiros, ele preparava o pão.
Junto com os padeiros de Eridu, ele preparava o pão,
cuidava todos os dias da comida e da água de Eridu,
com as próprias mãos limpas arrumava a mesa,
e sem ele a mesa não era recolhida.
Pilotava o barco e fazia a pesca e a caça para Eridu.
Então Adapa, de Eridu,
enquanto Ea [...] no quarto, sobre a cama,
cuidava todos os dias de fechar Eridu.
No cais puro, o cais da lua nova, ele embarcou no barco,
o vento soprou e o seu barco partiu,
com o remo ele conduzia o seu barco
sobre o mar aberto [...]