Naum 3
Ai da cidade ensangüentada! Ela está toda cheia de mentiras e de rapina; não se aparta dela o roubo.
A expressão 'cidade ensanguentada' (em hebraico, literalmente 'cidade de sangues') refere-se a Nínive, capital do Império Assírio. A acusação ecoa a brutalidade documentada nos próprios anais reais assírios, que se gabavam de empilhar cabeças cortadas, esfolar prisioneiros vivos e empalar populações inteiras. Sargão II e Senaqueribe descrevem campanhas com esse vocabulário de terror, de modo que a denúncia de Naum tem lastro histórico nas fontes da própria Assíria.O livro inteiro celebra a destruição de Nínive sem dirigir uma única palavra de crítica a Judá. Esse silêncio contrasta fortemente com profetas como Amós e Miqueias, que denunciam primeiro os pecados do próprio povo. Para alguns críticos, isso aproxima Naum de um oráculo de júbilo nacionalista contra o opressor; outros leem o livro como teodiceia, isto é, afirmação de que o Deus de Israel também julga os impérios e não apenas seu povo.