Isaías 42
Eis aqui o meu servo, a quem sustenho, o meu eleito, em quem se apraz a minha alma; pus o meu espírito sobre ele; ele trará justiça aos gentios.
Aqui começa o primeiro dos quatro 'Cânticos do Servo' (os outros em 49:1-6; 50:4-9; 52:13-53:12), trechos delimitados pela crítica desde Bernhard Duhm (1892). A identidade do 'servo' é o ponto mais debatido do livro. O próprio Dêutero-Isaías ora chama Israel/Jacó de servo de modo explícito (41:8; 44:1; 49:3), ora descreve um servo que tem missão para Israel (49:5-6), o que alimenta três leituras vivas: (a) coletiva, o servo é o povo de Israel personificado; (b) individual, um profeta, o rei Ciro ou o próprio autor; (c) messiânica, na tradição cristã. O texto hebraico de 42:1 não nomeia o servo.A tradição cristã lê o servo como Jesus, e o Evangelho de Mateus (12:18-21) cita 42:1-4 quase na íntegra aplicando-o a ele. A tradução grega antiga (Septuaginta) insere em 42:1 os nomes 'Jacó' e 'Israel' ('Jacó, meu servo... Israel, meu eleito'), tornando explícita a leitura coletiva que o hebraico deixa em aberto. As versões cristãs (como a ACF) seguem o texto hebraico, sem os nomes.