Isaías 27
Naquele dia o SENHOR castigará com a sua dura espada, grande e forte, o leviatã, serpente veloz, e o leviatã, a serpente tortuosa, e matará o dragão, que está no mar.
Os capítulos 24-27 de Isaías formam uma unidade que a crítica costuma chamar de 'Apocalipse de Isaías'. Pela linguagem cósmica e universal (juízo sobre toda a terra, derrota da morte, indício de ressurreição em 26:19), boa parte dos estudiosos a data bem depois do Isaías histórico do séc. VIII a.C., situando-a no período pós-exílico (séc. VI-IV a.C.) como camada redacional tardia. A leitura mais tradicional defende autoria isaiânica, lendo o bloco como visão profética antecipada.O Leviatã ('serpente veloz', 'serpente tortuosa', 'o dragão que está no mar') é paralelo direto de Lotan, o monstro marinho derrotado no Ciclo de Baal ugarítico (séc. XIV-XIII a.C.). Um trecho ugarítico fala em 'ferir Lotan, a serpente fugidia, destruir a serpente tortuosa de sete cabeças', usando praticamente os mesmos epítetos ('fugidia/veloz' e 'tortuosa') que Isaías aplica ao Leviatã. O texto bíblico retoma o motivo cananeu do combate da divindade contra o caos marinho, mas o reinterpreta: aqui é o SENHOR, e não Baal, quem vence o dragão. Esse imaginário do dragão derrotado reaparece no Apocalipse (ap12:9; ap20:2).