Daniel 11
E armará as tendas do seu palácio entre o mar grande e o monte santo e glorioso; mas chegará ao seu fim, e não haverá quem o socorra.
A morte do rei 'entre o mar grande e o monte santo' (na Palestina) não bate com a tradição histórica, que situa a morte de Antíoco IV no leste, na região da Pérsia, em 164 a.C. A leitura crítica majoritária explica assim: o autor descrevia eventos passados com exatidão (vaticinium ex eventu, 'profecia após o fato') até cerca de 165 a.C., mas a partir daqui passou a profetizar de verdade o fim do rei, e errou; logo, o livro teria sido composto durante a crise macabaica, antes da morte real de Antíoco. A leitura tradicional (datação no séc. 6 a.C., autoria de Daniel no exílio) responde que esses versos apontam para um cumprimento escatológico futuro, não para o Antíoco histórico. Outros indícios alegados pela crítica para a data tardia: empréstimos linguísticos persas e gregos no livro, a posição de Daniel entre os 'Escritos' (Ketuvim) e não entre os 'Profetas' no cânon hebraico, e a ausência de Daniel no elogio dos heróis de Israel feito por Ben Sira (Eclesiástico 44-50, c. 180 a.C.). O debate permanece aberto.