2 Samuel 22
E Falou Davi ao SENHOR as palavras deste cântico, no dia em que o SENHOR o livrou das mãos de todos os seus inimigos e das mãos de Saul.
Este cântico reaparece, quase verso por verso, como o Salmo 18 do saltério. Uma colação cuidadosa dos dois textos registra cerca de 129 pequenas divergências (vocabulário, ortografia, formas verbais), o que faz deste um dos casos mais estudados de tradição dupla na Bíblia hebraica: um mesmo poema preservado por dois canais que se afastaram aos poucos. Sobre a direção da dependência não há consenso. Frank Moore Cross e David Noel Freedman, em estudo clássico de 1953, trataram 2 Samuel 22 como o ramo mais antigo, sendo o Salmo 18 a versão adaptada ao culto público. Outros notam que o Salmo 18 abre com a linha 'Eu te amo, Senhor, força minha', ausente em Samuel, e questionam por que ela teria sido suprimida aqui, sinal de que a relação pode ser mais complexa que uma simples cópia.O capítulo pertence aos chamados apêndices de 2 Samuel (caps. 21-24), um bloco que interrompe a narrativa da sucessão e não segue ordem cronológica. Muitos comentadores o leem como um arranjo editorial em estrutura concêntrica: duas narrativas (a fome sob os gibeonitas, em 21, e o censo com a praga, em 24), duas listas de feitos militares e, ao centro, dois poemas, este cântico e as 'últimas palavras de Davi' do cap. 23.