Um conto curto que muda um homem inteiro
O Sonho de um Homem Ridículo é um conto que Dostoiévski publicou em 1877, dentro de uma revista que ele mesmo escrevia, o Diário de um Escritor. Ele deu ao texto um subtítulo modesto: um conto fantástico. São poucas páginas. Nelas, um homem que decidiu que nada na vida importa, e que por isso resolveu se matar, tem um sonho que o transforma por completo.
A obra começa com o narrador repetindo, quase com teimosia, uma palavra sobre si mesmo: ele é ridículo. E logo deixa escapar a única coisa que, segundo ele, o separa dos outros: ele conhece a verdade, e eles não.
1 Eu sou uma pessoa ridícula. Agora eles me chamam de louco. Seria uma promoção, não fosse o fato de eu continuar tão ridículo aos olhos deles quanto antes. Mas agora não guardo ressentimento, todos me são queridos agora, mesmo quando riem de mim, e, na verdade, é justamente nessa hora que me são particularmente queridos. Eu poderia rir junto com eles, não exatamente de mim mesmo, mas por afeto a eles, se não me sentisse tão triste ao olhar para eles. Triste porque eles não conhecem a verdade e eu a conheço. Ah, como é difícil ser o único que conhece a verdade! Mas eles não vão entender isso. Não, eles não vão entender.
A história em cinco partes
O conto é dividido em cinco partes curtas. Vale conhecer o mapa antes de entrar, porque a virada acontece no meio, quando o homem adormece e o texto passa do mundo real para dentro de um sonho.
| Parte | O que acontece |
|---|---|
| I | O homem se declara ridículo, conclui que nada importa e decide se matar naquela noite. |
| II | Voltando para casa, uma menininha aflita pede socorro. Ele a enxota, mas a consciência pesa e adia o tiro. |
| III | Ele adormece e sonha que se mata. É enterrado, e um ser o leva pelo espaço até outra Terra. |
| IV | Essa Terra é um paraíso: gente sem pecado, feliz, vivendo em amor, antes de qualquer Queda. |
| V | A presença dele corrompe esse mundo. Ao acordar, declara que viu a verdade e decide ir pregar o amor. |
Este tema sobe o conto com calma. As três primeiras páginas contam a história. Depois, duas páginas explicam o que Dostoiévski quer dizer com ela. E a última pergunta como um cristão deve ler tudo isso, o que aproveitar e o que pesar com cuidado.