Virgílio e Beatriz: Os Dois Guias de Dante

Virgílio: a razão que leva até o limite

O primeiro guia é Virgílio, o poeta romano autor da Eneida, morto antes de Cristo. Dante o admira como mestre, e o escolhe como símbolo da razão humana e da sabedoria natural: tudo o que o ser humano pode alcançar por conta própria, sem a fé. Virgílio conduz Dante por todo o Inferno e quase todo o Purgatório.

Mas a razão tem um limite. Virgílio, que vive no Limbo por não ter conhecido Cristo, não pode entrar no Paraíso. No alto do Purgatório, ele se despede, deixando Dante "senhor de si mesmo". É um dos momentos mais comoventes do poema:

48 portanto, sobre ti, de ti mesmo te coroo e mitro."

Beatriz: a graça que leva até Deus

A partir do Paraíso Terrestre, quem guia é Beatriz, figura da graça e da revelação divina. Onde a razão para, a fé continua. O encontro dos dois, depois da morte dela e dos desvios de Dante, é severo e luminoso ao mesmo tempo:

25 "Olha bem para mim! Sou eu, sou eu Beatriz. Como te dignaste a subir o monte? Não sabes que aqui o homem é feliz?".

No último trecho do Paraíso, até Beatriz dá lugar a São Bernardo de Claraval, que conduz Dante na oração final à Virgem. A escada de guias (Virgílio, Beatriz, Bernardo) desenha a própria subida da alma: da razão à graça, e da graça à contemplação.