Um homem perdido que atravessa o além
A Divina Comédia é um longo poema escrito por Dante Alighieri entre cerca de 1308 e 1321, no exílio. Conta uma viagem imaginária pelos três reinos do além-túmulo da fé cristã: o Inferno, o Purgatório e o Paraíso. O protagonista é o próprio Dante, que, perdido numa "selva escura" na metade da vida, é levado a percorrer o mundo dos mortos para reencontrar o caminho.
Não é um livro de terror nem um tratado de teologia seco. É a história de uma alma que desce ao fundo do mal, sobe pela purificação e chega à visão de Deus. Pelo caminho, Dante conversa com centenas de personagens, da Antiguidade ao seu próprio tempo, e cada encontro ilumina um pedaço da condição humana.
O poema abre com os versos mais conhecidos da literatura italiana:
1 No meio do caminho da nossa vida me vi perdido dentro de uma floresta escura, porque eu havia saído do caminho certo.
A arquitetura: três reinos, cem cantos
A obra tem um desenho rigoroso, todo construído sobre o número três (símbolo da Trindade) e o dez (a perfeição). São três cantiche, e cada uma tem 33 cantos; com o canto de abertura do Inferno, somam cem. Os versos são escritos em terza rima, estrofes de três linhas com rimas encadeadas, forma que o próprio Dante inventou.
| Cantica | Onde se passa | Guia | O que se vê |
|---|---|---|---|
| Inferno | Um funil que desce ao centro da Terra | Virgílio | Os condenados, punidos conforme o pecado |
| Purgatório | Uma montanha no hemisfério sul | Virgílio, depois Beatriz | As almas que se purificam, cheias de esperança |
| Paraíso | Os nove céus, até o Empíreo | Beatriz, depois São Bernardo | Os bem-aventurados, até a visão de Deus |
Esta edição publica a tradução em português ao lado do texto italiano original. Este tema sobe a obra com calma: primeiro o que ela é e quem são seus guias, depois a viagem reino por reino, e por fim como um cristão pode lê-la, o que ela ilumina sobre a fé e onde pesar com honestidade.