Um romance sobre um assassinato e uma consciência
Crime e Castigo foi escrito por Fiódor Dostoiévski em 1865 e 1866 e saiu mês a mês numa revista russa. A história é simples de contar e difícil de esquecer: Rodion Raskólnikov, um ex-estudante pobre de São Petersburgo, mata a machadadas uma velha que empresta dinheiro a juros, e por acaso mata também a irmã indefesa dela. Ele não faz isso por raiva nem só por dinheiro. Faz para testar uma ideia: a de que certos homens seriam "extraordinários" e teriam o direito de passar por cima da lei moral comum.
O título engana quem espera um livro de tribunal. O "castigo" do título não é o da polícia. É o que acontece dentro de Raskólnikov depois do crime: a febre, o medo, o isolamento, a consciência que não cala. O assassinato ocupa só a primeira das seis partes. Tudo o que vem depois é a lenta desintegração de quem matou e descobre que não aguenta o peso do que fez.
1 Numa tarde excepcionalmente quente do começo de julho, um rapaz saiu do cubículo que alugava na travessa S. e caminhou devagar, como que hesitante, em direção à ponte K.
A história em seis partes e um epílogo
O romance tem um desenho claro. Vale ver o mapa antes de entrar, porque a força do livro está menos no enredo e mais no que se passa por dentro do protagonista.
| Parte | O que acontece |
|---|---|
| I | A miséria de Raskólnikov, a teoria que o arma, e o duplo assassinato. |
| II | A febre e o pânico depois do crime, e o primeiro jogo de gato e rato com a polícia. |
| III | A mãe e a irmã chegam a Petersburgo, e Raskólnikov se mede com o juiz Porfiry sobre a sua teoria. |
| IV | Svidrigáilov entra em cena, Dúnia rompe com Lújin, e Sônia lê a ressurreição de Lázaro. |
| V | Lújin calunia Sônia, Raskólnikov confessa o crime a ela, e Katerina Ivánovna morre na rua. |
| VI | Porfiry o acusa abertamente, Svidrigáilov se mata, e Raskólnikov se entrega. |
| Epílogo | A Sibéria, a presença fiel de Sônia, e o início de uma vida nova. |
Este tema sobe o romance com calma. Primeiro conta a história e a ideia que move o crime. Depois mostra o coração cristão do livro, a leitura de Lázaro e o caminho do sofrimento até a regeneração. No fim, e isto é o mais importante, explica como um cristão pode ler a obra: o que ela ilumina sobre a fé, e onde pesar com honestidade.