Salmos 133
Como é bom e agradável quando os irmãos convivem em união!
Salmo 133 é um dos quinze Cânticos dos Degraus (ou das Subidas, Sl 120-134), coleção curta e popular provavelmente associada à peregrinação a Jerusalém nas festas anuais. O título hebraico traz 'Cântico dos degraus, de Davi', omitido nesta edição ACF; a atribuição a Davi é tradicional e debatida pela crítica, que tende a datar a coletânea no período pós-exílico.Quanto ao gênero, é um breve poema sapiencial-litúrgico em forma de bem-aventurança: começa com uma exclamação admirativa ('Oh! quão bom...') e desenvolve por duas comparações a vida comunitária dos 'irmãos'. 'Irmãos' pode designar tanto a família estendida quanto os peregrinos reunidos no santuário, ou ainda as tribos congregadas em Sião.
É como óleo precioso derramado sobre a cabeça, que desce pela barba, a barba de Arão, até a gola das suas vestes.
A primeira imagem compara a unidade ao óleo da unção que escorre da cabeça de Arão pela barba até a 'orla das vestes'. A referência é à consagração sacerdotal: Moisés derrama óleo sobre a cabeça de Arão para ungi-lo (Lv 8:12), com a receita do óleo santo em Êx 30:22-33. A abundância do óleo, que desce em cascata, sugere bênção transbordante; alguns leem aí também a ideia de santidade que se difunde do sacerdócio sobre toda a comunidade.
É como o orvalho do Hermom quando desce sobre os montes de Sião. Ali o Senhor concede a bênção da vida para sempre.
A segunda imagem traz uma dificuldade geográfica notada por comentaristas: o monte Hermom fica cerca de 200 km ao norte de Jerusalém, de modo que seu orvalho não pode literalmente cair sobre Sião. As leituras propostas variam: pode ser hipérbole poética (a abundância proverbial do orvalho de Hermom 'desce' sobre Sião como bênção), uma fusão deliberada de dois lugares distantes para unir norte e sul de Israel, ou uma comparação de dois orvalhos distintos. O hebraico é ambíguo no ponto.Os três nomes próprios do salmo, Arão, Hermom e Sião, terminam todos na sílaba '-on' no hebraico, um efeito sonoro que costura o poema. Óleo e orvalho funcionam como metáforas paralelas de uma bênção que desce de cima, culminando na afirmação de que é em Sião que 'o Senhor ordena a bênção e a vida para sempre'.